A castanha de caju representa uma fonte de renda vital para milhares de pequenos produtores no semiárido do Rio Grande do Norte, especialmente durante a entressafra de outras culturas. No entanto, a produção artesanal, que sustenta famílias e comunidades, esconde uma realidade dura marcada por riscos à saúde e pela persistência do trabalho infantil.

O estado é o terceiro maior produtor do Brasil, com uma colheita de 20,5 mil toneladas, ficando atrás apenas do Ceará e do Piauí. Em comunidades como a indígena Amarelão, em João Câmara, o processo é totalmente manual: a castanha é torrada, cozida e quebrada para extrair a valiosa amêndoa.

O grande vilão desse processo é o Líquido da Casca da Castanha de Caju (LCC), uma substância corrosiva liberada durante a torra. Sem o uso de equipamentos de proteção adequados, como luvas, os trabalhadores frequentemente sofrem queimaduras graves nas mãos, que podem até apagar as impressões digitais.

Além dos riscos físicos, a atividade ainda enfrenta o grave problema do trabalho infantil. Embora menos visível, auditorias fiscais confirmam que a prática persiste, muitas vezes no âmbito familiar, onde crianças e adolescentes trabalham antes do horário escolar, chegando às aulas sonolentos e com as mãos machucadas, comprometendo seu desenvolvimento e educação.

Histórias como a de Sebastiana e Damião, um casal que construiu sua vida com a castanha, mostram o lado de superação. Eles conseguiram dar educação às filhas, que seguiram carreiras como professora e técnica de enfermagem. Sua trajetória evidencia o potencial transformador dessa atividade, mas também reforça a urgência de melhorar as condições de trabalho e erradicar a exploração da mão de obra infantil, garantindo um futuro mais digno para as famílias que dependem do caju.