A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou esta quinta-feira que o conflito no Oriente Médio está a causar a maior interrupção no fornecimento de petróleo já registada na história. A declaração surge após a decisão da agência de libertar um volume recorde de 400 milhões de barris das reservas estratégicas dos seus países membros, numa tentativa de estabilizar os preços globais.

Segundo o relatório mensal da IEA, a oferta global de petróleo deverá cair em 8 milhões de barris por dia durante março, devido ao bloqueio do crucial Estreito de Ormuz, na costa iraniana. Esta interrupção começou após os Estados Unidos e Israel iniciarem uma campanha de ataques aéreos contra o Irã, a 28 de fevereiro.

Os principais produtores da região do Golfo, incluindo a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e o Qatar, reduziram conjuntamente a sua produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia. Este valor representa quase 10% da procura mundial de petróleo, sublinhando a dimensão do impacto do conflito.

A IEA advertiu que, sem uma retoma rápida do transporte marítimo na região, estas perdas podem aumentar. “A produção interrompida nos campos petrolíferos levará semanas e, em alguns casos, meses para voltar aos níveis anteriores à crise”, referiu a agência, destacando a complexidade logística envolvida no regresso de trabalhadores e equipamentos.

Os preços do petróleo, que já tinham atingido um pico de 119,50 dólares por barril na segunda-feira, voltaram a subir esta quinta-feira. O Brent negociou com ganhos superiores a 6%, aproximando-se dos 98 dólares por barril, após o Irã intensificar ataques a infraestruturas petrolíferas em toda a região, alimentando receios de um conflito prolongado.

A libertação recorde de 400 milhões de barris das reservas estratégicas, anunciada na quarta-feira, tem como principal objetivo conter a escalada de preços. Os Estados Unidos são responsáveis pela maior parte deste volume disponibilizado.