A decisão da União Europeia de avançar com a aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosul foi recebida com forte crítica pelo presidente francês, Emmanuel Macron. O líder francês classificou a medida como “uma má surpresa” e “desrespeitosa para o Parlamento Europeu”, após reunião com o primeiro-ministro da Eslovênia, Robert Golob, em Paris.
A França, maior produtora agrícola da UE, mantém-se como principal opositora ao acordo, argumentando que o tratado aumentará significativamente as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, prejudicando os produtores locais que já realizam protestos frequentes.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o bloco procederá com a aplicação provisória do acordo, declarando: “Já disse antes: quando eles estiverem prontos, nós também estaremos. Com isso, a Comissão seguirá com a aplicação provisória do acordo.”
O acordo entre a UE e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) foi concluído em janeiro após 25 anos de negociações. O tratado tem potencial para eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, tornando-se o maior acordo de livre comércio do bloco em termos de redução potencial de impostos de importação.
Em votação realizada em janeiro, 21 países da UE apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica absteve-se.
A decisão da Comissão Europeia ocorre após a ratificação do acordo pela Argentina e Uruguai na quinta-feira (26), e pela aprovação na Câmara dos Deputados do Brasil na quarta-feira (25), aguardando agora análise do Senado brasileiro.
Países favoráveis ao acordo, como Alemanha e Espanha, defendem que ele é essencial para compensar perdas comerciais causadas pelas tarifas dos Estados Unidos e para diminuir a dependência da China em relação a minerais estratégicos.
A associação francesa da indústria da carne, Interbev, já pediu aos parlamentares franceses no Parlamento Europeu que atuem para “impedir que a Comissão contorne o debate democrático”.