A saída do ministro Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública abre espaço para uma mudança estratégica no perfil do cargo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem planos de escolher um ex-governador para a vaga, buscando alguém com experiência direta no comando das polícias e com “casca grossa” para lidar com a complexa área de segurança pública.

A preferência por um ex-gestor estadual segue uma lógica pragmática: credibilidade e facilidade de diálogo. Quem já ocupou uma cadeira de governador conhece de perto os problemas crônicos de segurança e tem experiência em comandar as Polícias Civil e Militar. Essa vivência gera uma solidariedade natural, facilitando a interlocução, inclusive com governadores de oposição. Acredita-se que um ex-governador teria um diálogo mais produtivo com os atuais mandatários estaduais do que alguém sem essa experiência prática.

A sucessão ministerial reaquece o debate sobre o possível desmembramento da pasta e a recriação de um Ministério da Segurança Pública autônomo. Essa é uma ideia que Lula já defendia desde a transição de governo, embora a condicionasse a ajustes prévios no sistema de Justiça.

Existe em Brasília um entendimento histórico de que criar um ministério específico para a segurança jogaria o problema da violência diretamente no colo do presidente. No entanto, essa lógica parece ter envelhecido. Com o crime organizado atuando como máfias transnacionais, infiltrado na economia formal e em escalões de poder, a sociedade não vê mais facções como o PCC ou o Comando Vermelho apenas como problemas locais. A percepção atual é de um desafio nacional.

Nesse contexto, um ministro exclusivo para a Segurança Pública funcionaria como um fusível político: em momentos de crise aguda, ele serviria de anteparo, preservando a figura presidencial. A sociedade teria um responsável direto a quem cobrar. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) compreendeu essa dinâmica ao nomear ministros com perfis específicos para a área, criando uma espécie de blindagem política.

Lewandowski deixa o cargo por questões pessoais, mas também em um contexto de desgaste político da pasta.

Fonte: G1 – Blog do Octavio Guedes