O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto à sociedade brasileira para uma profunda reflexão sobre como as mulheres são tratadas no país. Em pronunciamento transmitido nacionalmente na véspera do Dia Internacional da Mulher, o chefe do Executivo defendeu ações mais efetivas e urgentes para combater o feminicídio, crime que, segundo ele, é o resultado final de uma série de violências diárias e naturalizadas.
“Como o nosso país trata as mulheres? E mais do que isso: Como nós, homens brasileiros, tratamos as mulheres?”, questionou Lula. “Precisamos começar encarando a realidade, por mais dura que ela seja. A cada 6 horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é o resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas, naturalizadas.”
O pronunciamento ocorreu após a assinatura, pelos Três Poderes da República, do “Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio”. Batizado com o lema “Todos Por Todas”, o acordo tem como eixos principais a prevenção, a proteção, a responsabilização de agressores e a garantia de direitos para mulheres vítimas de violência de gênero.
“Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos sim meter a colher”, afirmou o presidente de forma enfática.
Durante o discurso, Lula anunciou um conjunto de medidas que serão implementadas para dar mais segurança às mulheres. Entre elas estão:
- Implantação do rastreamento eletrônico de agressores cujas vítimas estejam sob medida protetiva.
- Ampliação e fortalecimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e das Procuradorias da Mulher.
- Criação do Centro Integrado da Segurança Pública, com unificação de dados e monitoramento de agressores.
- Expansão da rede de unidades dos Centros de Referência e das Casas da Mulher Brasileira, que oferecem serviços especializados para vítimas de violência doméstica e seus filhos.
O presidente deixou claro que o objetivo vai além da sobrevivência. “O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar.”
O lançamento do pacto, realizado no Salão Nobre do Palácio do Planalto, contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e de autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, simbolizando um compromisso institucional unificado para enfrentar a violência letal contra mulheres e meninas.
“Quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra. E nós não aceitaremos mais sangrar em silêncio”, concluiu Lula, reforçando o tom de urgência e mudança.