O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, durante encontro com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa no Palácio do Planalto, uma cooperação estratégica entre Brasil e África do Sul para a exploração conjunta de minerais críticos e terras raras. A proposta visa transformar a extração desses recursos em uma alavanca para desenvolvimento tecnológico e econômico, evitando o modelo histórico de exportação de commodities sem processamento.

Lula criticou o passado de exportação de minérios brutos, como o ferro, que eram vendidos a baixo custo e recomprados como produtos acabados a preços muito superiores. “O Brasil não vai fazer das terras raras o que foi feito com o minério de ferro. A gente vendeu o minério e comprou produto acabado pagando cem vezes mais caro”, declarou.

O presidente enfatizou a necessidade de os dois países, que possuem reservas significativas desses minerais essenciais para a transição energética e digital, fortalecerem suas cadeias produtivas. A ideia é que a etapa de transformação industrial ocorra dentro dos territórios nacional e sul-africano, gerando conhecimento, riqueza e melhoria de vida para as populações.

Em tom de questionamento sobre a histórica exploração de recursos, Lula afirmou: “Já levaram nossa prata, todo o nosso ouro, já levaram todo o diamante, já levaram todo o nosso mineiro, o que mais querem levar? Quando é que gente vai aprender que Deus colocou toda essa riqueza pra nós, e nós ficamos dando para outros?”.

O governo brasileiro já sinalizou que não pretende firmar acordos de exclusividade sobre terras raras, mantendo a soberania nacional sobre a segunda maior reserva do mundo. A intenção é diversificar parcerias, especialmente com países do Sul Global, em setores estratégicos.