O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta quarta-feira (4) o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários para um jantar de confraternização na Residência Oficial da Granja do Torto, em Brasília. O encontro, articulado pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), simboliza um esforço de reaproximação do governo com o Legislativo após um ano de turbulências.
O evento, de caráter informal, contou com a presença de parlamentares da base aliada e do Centrão. Apesar de não ter pauta legislativa formal, o jantar ocorre em um momento em que o governo busca apoio para avançar em propostas populares, como o fim da escala 6×1 e a regulação do trabalho por aplicativo, que devem ser bandeiras na campanha pela reeleição de Lula.
Durante o jantar, Lula tocou músicas de Geraldo Vandré, como “Disparada” e “Pra não dizer que não falei de flores”. Em seu discurso, o presidente reconheceu divergências com o Congresso em 2025, mas afirmou que o saldo foi positivo e agradeceu a Hugo Motta pelo apoio em votações relevantes. Motta, por sua vez, fez elogios ao governo.
Estiveram presentes ministros como Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Rui Costa (Casa Civil), além de líderes partidários e deputados da base aliada. A primeira-dama Janja da Silva também participou.
Agenda Prioritária e Desafios
O governo definiu como prioridades para 2026 a aprovação do fim da jornada 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativo. Um projeto de lei sobre a escala 6×1 será enviado ao Congresso após o Carnaval, com expectativa de votação no primeiro semestre.
Para a regulação de aplicativos, um grupo de trabalho coordenado por Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) defende remuneração mínima, transparência de algoritmos e acesso à Previdência Social. No entanto, o tema pode não avançar rapidamente.
O governo também monitora pautas de desgaste, como o PL da Dosimetria (que reduz penas de condenados por atos golpistas), a PEC da Segurança Pública e a indicação de Jorge Messias para o STF. A derrubada do veto ao PL da Dosimetria requer 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
Aliados avaliam que o jantar marca uma mudança de postura do Planalto, com Lula buscando atrair o apoio do Centrão em ano eleitoral.