O presidente Lula recebeu deputados em um jantar na Granja do Torto na última quarta-feira (4) em um clima descrito por presentes como de “pré-campanha” e “sambarilove”. O evento foi marcado por recados musicais e acenos à base aliada do Congresso, especialmente ao chamado Centrão.
A noite começou ao som de “Disparada”, de Geraldo Vandré, com Lula pedindo aos convidados que “preparassem o coração” para o que seria falado. Também foi ouvida “Para Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, do mesmo cantor, em uma clara mensagem de mobilização aos parlamentares.
Em seus discursos, Lula reconheceu divergências com o Congresso ao longo de 2025, mas destacou um saldo positivo na relação. Agradeceu publicamente ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), pelo apoio em matérias relevantes, adotando um tom que foi descrito como pessoal e até “paternal”.
Motta retribuiu com elogios ao governo, e o líder do PP, Dr. Luizinho, presenteou o presidente com uma garrafa de whisky. O encerramento musical ficou por conta do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói, que homenageará Lula no próximo carnaval, levando alguns convidados a “sambarem de fininho” na saída.
No ambiente de pré-campanha, Lula falou abertamente sobre as eleições, afirmando, segundo relatos: “Eu ainda não ganhei, mas vou ganhar essa eleição”. Citou como possíveis adversários os governadores Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS), sem mencionar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A avaliação entre os líderes partidários presentes é de que o Centrão está mais próximo do governo do que jamais esteve, embora haja a percepção de que o “pressentimento de crescimento de Lula para as eleições deu uma freadinha”. A construção do cenário eleitoral ainda dependerá fortemente de composições regionais, que, na visão de um parlamentar, podem “minar a unidade do Centrão” – justamente onde Lula estaria mirando.