O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu um encontro de última hora com membros do Brics durante sua escala programada nos Emirados Árabes Unidos. A reunião, com duração prevista de cerca de uma hora, ocorrerá entre segunda (23) e terça-feira (24) em Abu Dhabi, capital do país.

Na ocasião, Lula também se encontrará com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Xeque Mohammed bin Zayed Al Nahyan. O encontro com os membros do Brics não terá status de visita de Estado e não está prevista a assinatura de acordos formais.

Os Emirados Árabes Unidos tornaram-se membros plenos do Brics em 2024, após a ampliação do bloco aprovada na cúpula de Joanesburgo em 2023. O país é visto pelo governo brasileiro como um parceiro estratégico no Oriente Médio, com diálogo focado em investimentos, energia e comércio.

Esta escala nos Emirados Árabes já estava programada para abastecimento da aeronave presidencial no retorno ao Brasil, após a agenda oficial na Coreia do Sul.

Giro Estratégico pela Ásia

A viagem de Lula pela Ásia começou logo após o Carnaval, com passagem pela Índia, onde participou do Fórum Internacional sobre Inteligência Artificial e se reuniu com o primeiro-ministro Narendra Modi. Os dois países assinaram um memorando de entendimento sobre minerais raros.

Na Coreia do Sul, Lula assinou 10 acordos de cooperação e estabeleceu um plano de quatro anos para relações bilaterais. Desde 2024, a Coreia do Sul já anunciou cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no Brasil, concentrados principalmente na indústria de transformação.

O comércio bilateral entre Brasil e Coreia do Sul somou US$ 10,8 bilhões em 2025, com superávit de US$ 174 milhões para o Brasil. Entre os países asiáticos, a Coreia do Sul é o quarto maior parceiro comercial brasileiro.

Contexto Geopolítico

A viagem é vista como um movimento estratégico para ampliar a presença internacional do Brasil em um momento de reconfiguração geopolítica. O governo busca fortalecer relações com potências emergentes e diversificar mercados além da China.

O foco em minerais críticos e terras raras reflete a importância desses insumos para tecnologias de alto valor agregado, como baterias, semicondutores, energia renovável e inteligência artificial. O Brasil possui reservas estratégicas desses recursos e busca posicionar-se nas cadeias produtivas do futuro.