O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou 2026 em intensa atividade diplomática, mantendo diálogo com 14 chefes de Estado em meio a um cenário internacional marcado por instabilidade. As conversas ocorrem enquanto o mundo enfrenta tensões na Venezuela, conflitos na Faixa de Gaza, e a polêmica proposta de anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos.

Entre 8 e 27 de janeiro, Lula conversou com líderes de diferentes continentes, incluindo Gustavo Petro (Colômbia), Claudia Sheinbaum (México), Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Narendra Modi (Índia) e Donald Trump (EUA). A agenda reflete o esforço brasileiro em ampliar seu protagonismo em debates sobre paz, segurança e comércio internacional.

Principais Temas das Conversas

  • Acordo Mercosul-União Europeia: Reforço das negociações comerciais.
  • Conselho da Paz de Trump: Proposta norte-americana que gerou preocupação internacional por criar uma estrutura paralela à ONU.
  • Crise na Venezuela: Repercussão da captura de Nicolás Maduro por forças dos EUA em 3 de janeiro.

Conselho da Paz: Proposta Polêmica

Lançado por Donald Trump durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o chamado “Conselho da Paz” foi apresentado como organismo para resolução de conflitos, começando por Gaza. A proposta, porém, gerou críticas por conceder mandato vitalício a Trump e exigir pagamento de US$ 1 bilhão para assentos permanentes. Em conversa com o presidente americano, Lula propôs que o conselho se limite a questões humanitárias em Gaza e inclua a Palestina.

Crise na Groenlândia

A intenção de Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, escalou para uma crise internacional. O presidente americano justificou a medida como essencial para segurança nacional, vinculando-a ao sistema antimíssil “Domo de Ouro”. A ameaça de retaliações comerciais contra opositores provocou reação da União Europeia, com vários países enviando tropas simbólicas à ilha. O interesse estratégico inclui reservas de terras raras e posição crucial no Ártico.

Posicionamento do Brasil

O governo brasileiro tem defendido o multilateralismo, a soberania dos países e o respeito ao direito internacional. Lula condenou a ação militar dos EUA na Venezuela, classificando-a como inaceitável nas relações entre nações. Apesar das divergências com Trump sobre tarifas e políticas externas, os dois mantêm diálogo, com encontro previsto em Washington para março.

Nesta quarta-feira (28), Lula participa do Fórum Econômico da América Latina no Panamá, com agendas bilaterais com os presidentes da Bolívia e Panamá, reforçando o papel do Brasil como estabilizador regional.