O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou suas críticas à política externa norte-americana durante evento do Partido dos Trabalhadores na Bahia, acusando os Estados Unidos de promover um “massacre de especulação” contra Cuba e defendendo a soberania da Venezuela para resolver seus próprios conflitos internos.

Em discurso marcado pela defesa da autodeterminação dos povos, Lula afirmou: “O nosso país é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre de especulação dos Estados Unidos contra eles. E que nós temos que encontrar, enquanto partido, um jeito de ajudar”.

Sobre a Venezuela, o presidente brasileiro foi enfático: “Nós temos que dizer alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo da Venezuela e não pelos Estados Unidos ou pelo [Donald] Trump”. A declaração ocorre após a intervenção militar norte-americana em território venezuelano em janeiro de 2026, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua transferência para Nova York para julgamento por tráfico de drogas.

Lula também destacou a importância da parceria estratégica com a China, especialmente no contexto da disputa global por terras raras — minerais essenciais para tecnologias verdes e equipamentos militares. “Toda a reunião é para evitar que os países vendam terras raras, minerais críticos para a China. É uma briga meio escondida, mas tudo é para a China, contra a China. E eu quero dizer que eu sou muito grato, muito grado à parceria que o Brasil tem com a China”, declarou.

A disputa por esses recursos estratégicos intensificou-se em 2026, com os EUA tentando formar uma coalizão internacional para reduzir a dependência da cadeia produtiva dominada por Pequim, que controla 70% da extração e 90% do processamento global. Washington alega preocupações com segurança geopolítica, enquanto a China acusa os norte-americanos de distorcer a ordem comercial internacional.

O discurso ocorreu durante as comemorações dos 46 anos do PT em Salvador, reforçando o posicionamento do governo brasileiro em favor do multilateralismo e contra o que classifica como interferência externa em assuntos soberanos.