O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou, durante coletiva de imprensa em Nova Delhi, na Índia, seu desejo de que o Brasil receba um tratamento igualitário por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração ocorreu após a imposição de novas tarifas americanas e na véspera de um encontro bilateral marcado para março.

“Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país, queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles também um tratamento igualitário com os outros países”, afirmou Lula.

O posicionamento foi uma resposta às recentes medidas comerciais de Washington, que incluíram uma tarifa adicional de 10% sobre importações, decisão que seguiu uma determinação da Suprema Corte americana sobre políticas anteriores de Trump.

Lula destacou a cautela do governo brasileiro ao lidar com a questão das tarifas, afirmando: “Eu acho que nós tomamos as decisões corretas. Uma parte das coisas já tinham sido mudada pelo próprio governo americano e agora nós tivemos outra decisão da Justiça Americana contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump”.

Sobre o aguardado encontro com Trump, o presidente brasileiro adiantou que a pauta será ampla. “A pauta que quero conversar com o presidente Trump é muito mais ampla do que minerais críticos. Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação”, disse, mencionando também a situação da população brasileira nos EUA e investimentos americanos.

Lula avaliou que a relação bilateral melhorou recentemente: “A gente voltou a ter uma relação totalmente civilizada e altamente respeitosa”.

Fontes diplomáticas brasileiras indicam que o Brasil pretende focar em três eixos principais durante o encontro: o combate ao crime organizado, a continuidade das negociações sobre produtos brasileiros afetados por tarifas e a situação política na América Latina. Interlocutores do Planalto acreditam que o diálogo presencial será crucial para organizar e fortalecer os laços entre os dois países.

A declaração de Lula foi dada no último dia de sua visita oficial à Índia, antes de seguir para a Coreia do Sul. Durante a passagem pelo país asiático, Brasil e Índia assinaram seis memorandos de entendimento nas áreas de saúde, tecnologia, pesquisa científica e comunicações, além de um documento inédito sobre cooperação em minerais críticos e terras raras.