O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, durante o Fórum Econômico da América Latina e Caribe na Cidade do Panamá, o apoio do Brasil à neutralidade e soberania do Panamá sobre o Canal do Panamá. A declaração ocorre em um contexto de crescentes investidas do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que manifestou publicamente o desejo de “retomar o controle” da via interoceânica.
“A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não-discriminatória há quase três décadas”, afirmou Lula, sendo ovacionado pela plateia após o discurso.
Esta não é a primeira manifestação do presidente brasileiro sobre o tema. Em 2025, ao receber o então presidente panamenho José Raúl Mulino no Palácio do Planalto, Lula já havia declarado apoio integral à soberania do Panamá sobre o canal.
Contexto Histórico e Tensões Recentes
O Canal do Panamá, inaugurado em 1914, foi controlado pelos Estados Unidos até 31 de dezembro de 1999, quando a administração foi totalmente transferida para o Panamá, conforme estabelecido pelos Tratados Torrijos-Carter de 1977.
Recentemente, Donald Trump acusou o Panamá de cobrar taxas excessivas para o uso do canal e expressou preocupação com uma suposta influência chinesa na região, citando a administração de dois portos próximos por uma empresa de Hong Kong. “Se os princípios deste gesto magnânico de doação não forem seguidos, então exigiremos que o Canal do Panamá seja devolvido a nós”, declarou Trump no ano passado.
O governo panamenho rejeitou as alegações, afirmando que as taxas são calculadas com transparência e que o canal não está sob controle ou influência estrangeira. “Cada metro quadrado do Canal do Panamá e sua área ao redor pertence ao Panamá e continuará a pertencer. A soberania e a independência do nosso país não são negociáveis”, respondeu o presidente Mulino.
Importância Estratégica e Posição Brasileira
Em seu discurso, Lula conectou a defesa da neutralidade do canal a um projeto mais amplo de integração regional. “Continuamos empenhados em trabalhar com todos os países vizinhos em dezenas de obras de melhoria de rodovias, hidrovias, ferrovias, portos e aeroportos, com potencial para dobrar o comércio intrarregional em poucos anos”, destacou.
A posição do Brasil reforça o princípio de autodeterminação dos povos e a governança multilateral, alinhando-se com a defesa histórica panamenha sobre sua principal via aquática, que encurta drasticamente as rotas marítimas globais entre os oceanos Atlântico e Pacífico.