O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou nesta sexta-feira (20) que o dólar não precisa ser a moeda utilizada nas transações comerciais entre os países do Brics, defendendo o uso das moedas locais. Durante entrevista à emissora indiana “Índia Today”, o petista também destacou o protagonismo do Brasil ao criticar as tarifas impostas pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump.

“Eu defendi que não é necessário que um acordo comercial entre Brasil e Índia precise ser feito em dólares americanos. O que eu defendo é que podemos usar nossas próprias moedas”, afirmou Lula, reconhecendo as dificuldades da transição, mas reforçando a necessidade de reduzir a dependência do dólar.

O presidente argumentou que essa medida pode baratear custos, ampliar o comércio dentro do bloco e conceder maior autonomia financeira às economias emergentes. A proposta, no entanto, não é nova e vem sendo discutida internamente no Brics há anos, com diferentes graus de apoio entre os membros.

Em relação ao “tarifaço”, Lula relembrou sua atuação à frente do grupo após a imposição de tarifas unilaterais por Trump. “Quando o presidente [Donald] Trump impôs tarifas universais a todos os países, realizei uma reunião do Brics por teleconferência para que pudéssemos emitir uma declaração de que o comportamento do presidente dos EUA, impondo tarifas unilaterais, não era correto”, disse.

Durante a entrevista, Lula também destacou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) do Brics, afirmando que a instituição “precisa funcionar de maneira diferente de outras instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial”. Para ele, o bloco representa uma esperança de inovação frente aos modelos do século XX.

Questionado sobre a Venezuela, o presidente brasileiro reforçou a posição de não intervenção do governo. Ele condenou a captura do presidente Nicolás Maduro, classificando o ato como inaceitável, e defendeu que a solução para a crise deve partir dos próprios venezuelanos, sem interferência estrangeira.

As declarações de Lula ocorrem em um contexto de fortalecimento do Brics como um fórum de coordenação econômica e diplomática, com o objetivo declarado de reduzir a dependência do dólar americano, embora seus integrantes rejeitem publicamente o título de “bloco anti-Ocidente”.