O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou, na madrugada deste domingo (22), que o Brasil agiu corretamente ao adotar uma postura cautelosa diante do aumento de tarifas imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi dada em Nova Delhi, Índia, após a Suprema Corte dos EUA decidir que Trump extrapolou sua autoridade ao decretar o chamado “tarifaço”.

“Eu acho que nós tomamos as decisões corretas. Uma parte das coisas já tinha sido mudada pelo próprio governo americano e agora nós tivemos outra decisão da Justiça americana contrariando aquilo que era a tese do presidente Trump”, afirmou Lula a jornalistas.

O presidente brasileiro evitou comentar diretamente a decisão judicial, mas reforçou o desejo de um tratamento igualitário nas relações internacionais. “Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país, queremos ter relações iguais com todos os países”, disse.

Encontro com Trump em março

Lula confirmou que se reunirá com Trump em março e adiantou que a pauta será ampla. “Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação”, declarou, mencionando que, além de minerais críticos e terras raras, pretende discutir a situação da população brasileira nos EUA e investimentos americanos no Brasil.

Segundo o presidente, a relação bilateral melhorou recentemente. “A gente voltou a ter uma relação totalmente civilizada e altamente respeitosa”, afirmou.

Contexto da decisão e próximos passos

A Suprema Corte dos EUA considerou que Trump excedeu seus poderes ao impor aumentos tarifários generalizados sobre importações da maioria dos parceiros comerciais americanos. Após a decisão, o republicano anunciou a elevação das tarifas globais de 10% para 15%.

Fontes da diplomacia brasileira indicam que o Brasil pretende pautar três temas principais no encontro entre os líderes: o combate ao crime organizado, a continuidade das negociações sobre produtos brasileiros ainda afetados pelas tarifas e a situação política na América Latina.

Esta foi a última atividade de Lula na Índia. O presidente segue agora para a Coreia do Sul. Durante a visita, Brasil e Índia assinaram seis memorandos de entendimento nas áreas de saúde, tecnologia, pesquisa científica e comunicações, além de um acordo inédito sobre minerais críticos e terras raras.