O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas a intervenções militares na região da América Latina e Caribe durante discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá. O petista afirmou que tais ações são ilegais e que organismos internacionais estão paralisados para responder a elas.
“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós”, declarou Lula, acrescentando que “a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos”.
O presidente criticou especificamente a paralisia da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que segundo ele “não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, apesar dos esforços do presidente colombiano Gustavo Petro.
Embora não tenha citado nominalmente os Estados Unidos, as declarações ocorrem em um contexto de tensões regionais. No início do ano, forças norte-americanas invadiram a Venezuela, capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, em uma operação que resultou em aproximadamente 100 mortos – ação que Lula vem criticando sistematicamente.
Paradoxalmente, o presidente brasileiro reconheceu momentos de cooperação: “O presidente Franklin Roosevelt implementou uma política de boa vizinhança que tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia”. Lula também destacou que os EUA “souberam ser parceiros” dos países latino-americanos em alguns momentos históricos.
O discurso ocorre às vésperas de uma viagem de Lula a Washington em março, onde se encontrará com o presidente Donald Trump. Além de questões econômicas e comerciais, a agenda incluirá discussões sobre a Venezuela e o conflito na Faixa de Gaza. Trump convidou o brasileiro para integrar um Conselho da Paz que debaterá, entre outros pontos, a questão palestina.
Encerrando sua fala, Lula reafirmou o posicionamento do Brasil: “Escolhemos o mundo da democracia, da paz e da integração regional”. Para o presidente, a única guerra que deveria ser travada é “contra a fome e a desigualdade”, reforçando sua visão de que soluções diplomáticas e cooperativas são o caminho para superar os desafios regionais.