O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas durante evento em Maceió, Alagoas, nesta sexta-feira (23), ao se referir aos defensores de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Sem citar nominalmente o empresário, Lula afirmou que há pessoas que “por falta de vergonha na cara” o defendem, em meio ao escândalo financeiro que envolve mais de R$ 40 bilhões.
A declaração foi dada durante a entrega de 1,3 mil casas do programa “Minha Casa, Minha Vida”, quando o presidente comparou a situação da população pobre com o que chamou de “desfalque” do Banco Master. “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado, enquanto um cidadão, como esse do Banco Master, que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões. E quem vai pagar? São os bancos. É o Banco do Brasil, é a Caixa Econômica Federal, é o Itaú”, disse Lula.
O presidente completou: “Então, companheiros, e tem gente que defende porque também está cheio de gente que falta um pouco de vergonha na cara nesse país”.
Contexto do Caso Master
As investigações contra o Banco Master tiveram início em 2024, quando o Banco Central identificou irregularidades. A Polícia Federal apurou um esquema de fraude envolvendo emissão de títulos falsos, com promessas de rendimento até 40% acima da taxa básica.
Em 18 de novembro de 2025, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Malta com destino a Dubai. O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da instituição.
Desdobramentos Recentes
Nesta sexta, o presidente e diretores do Rioprevidência, regime previdenciário do Rio de Janeiro, foram alvo de buscas da PF. A autarquia fez aportes de quase R$ 1 bilhão em fundos do conglomerado de Vorcaro. A PF considera que as operações expuseram o patrimônio da autarquia a “risco elevado e incompatível com sua finalidade”. O fundo é responsável por benefícios a 235 mil servidores.
Mecanismo de Ressarcimento
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é o responsável por ressarcir credores que compraram CDBs do Master. O fundo não conta com recursos do governo nem com aportes diretos de clientes, sendo capitalizado por instituições financeiras, incluindo bancos públicos. Segundo o ministro Fernando Haddad, só a Caixa responde por um terço da capitalização do FGC.