O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a Índia neste domingo (22) com destino à Coreia do Sul, onde inicia uma visita oficial de Estado a convite do governo sul-coreano. A agenda começa nesta segunda-feira (23) e marca a terceira vez que Lula visita o país, porém a primeira com o peso diplomático completo de uma visita de Estado, sinalizando um aprofundamento nas relações bilaterais.

Esta viagem se insere em uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de ampliar e diversificar a presença do país na Ásia, buscando novos mercados, parcerias comerciais e atraindo investimentos, com o objetivo de reduzir a dependência de parceiros tradicionais.

A primeira-dama, Janja, que acompanhou o presidente até a Índia, seguiu antes para a Coreia do Sul, onde cumpre agenda própria com a primeira-dama sul-coreana.

Relações em Ascensão

Nos últimos anos, as relações entre Brasil e Coreia do Sul ganharam novo fôlego. Lula e o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, já se reuniram duas vezes em 2025: durante a cúpula do G7 no Canadá, em junho, e na reunião do G20 na África do Sul, em novembro. Segundo interlocutores do Itamaraty, a afinidade entre os líderes ficou “clara e evidente” nesses encontros.

A expectativa para esta visita é a assinatura de um “Plano de Ação 2026-2029”, um documento que deve formalizar um nível mais estratégico de cooperação entre as nações, abrangendo áreas prioritárias e alinhando visões sobre o cenário geopolítico internacional.

Parceria Econômica Relevante

A Coreia do Sul é um parceiro econômico de peso para o Brasil. Desde 2024, o país asiático já anunciou investimentos da ordem de US$ 8,8 bilhões em território brasileiro, com quase 80% desse montante direcionado à indústria de transformação.

No comércio bilateral, o fluxo entre os dois países somou US$ 10,8 bilhões em 2025, resultando em um superávit de US$ 174 milhões para o Brasil. Na Ásia, a Coreia do Sul é o quarto maior parceiro comercial brasileiro, ocupando a 13ª posição no ranking global.

Laços Culturais em Expansão

Além da economia, os laços culturais entre Brasil e Coreia do Sul se intensificaram significativamente. A onda da cultura coreana, impulsionada pelo sucesso global do K-pop, doramas (séries de TV) e cinema, conquistou o público brasileiro, fortalecendo a conexão entre as sociedades.

Outro fenômeno notável é a popularização da “K-beauty” (beleza coreana) no Brasil. Rotinas de skincare, séruns e produtos de cosmética inspirados nos padrões estéticos coreanos ganharam espaço nas redes sociais, no varejo e no interesse de consumidores, despertando também a atenção da indústria brasileira de cosméticos para as inovações tecnológicas vindas da Coreia do Sul.

A visita de Lula, portanto, ocorre em um momento de convergência entre interesses econômicos estratégicos e uma crescente aproximação cultural, posicionando a Coreia do Sul como um parceiro chave na política externa brasileira de diversificação e inserção na Ásia.