O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu um convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um “Conselho de Paz” focado na Faixa de Gaza. O anúncio ocorre em um contexto de duras e recorrentes críticas do governo brasileiro à condução da guerra pelo governo israelense de Benjamin Netanyahu, aliado de Trump.

Em diversos fóruns, Lula já classificou as ações israelenses em Gaza como um “genocídio” e uma tentativa de “extermínio do povo palestino” e “aniquilamento de seu sonho de nação”. A posição brasileira, que reconhece o Estado da Palestina, defende a retirada completa das tropas israelenses e questiona os limites éticos e legais das operações militares.

Em outubro de 2023, o Brasil tentou aprovar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução por cessar-fogo e ajuda humanitária permanente, mas a proposta foi vetada pelos EUA, então sob Joe Biden, que alegou falta de clareza sobre o direito de Israel à defesa. Desde então, as críticas de Lula tanto ao Hamas quanto à resposta israelense aprofundaram o distanciamento diplomático com Israel.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também tem se manifestado veementemente. Em audiências no Congresso, ele cobrou da comunidade internacional uma intervenção diante do que chamou de “carnificina” praticada por Israel, destacando o “número elevadíssimo” de mortes de crianças e afirmando que as ações “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”.

O “Conselho de Paz” proposto por Trump é visto como um elemento central da segunda fase do plano americano para encerrar o conflito. Segundo a Casa Branca, o grupo discutirá governança, relações regionais, reconstrução e mobilização de investimentos para Gaza.