A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou que recebeu um convite do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para uma visita oficial ao Brasil em maio. A informação foi divulgada durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (9) em Acapulco, no México.

O convite ocorre no contexto de uma série de contatos diplomáticos realizados por Lula nesta semana para discutir a situação na Venezuela, após a ação militar dos Estados Unidos que removeu Nicolás Maduro do poder no último final de semana.

Diálogo sobre a Venezuela e rejeição a zonas de influência

Na conversa entre os dois líderes, realizada na quinta-feira (8), Sheinbaum e Lula discutiram possibilidades de cooperação para a construção da paz na Venezuela. Ambos rejeitaram publicamente a noção de “zonas de influência” em relação à atuação dos Estados Unidos na região.

Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, “os dois líderes rejeitaram qualquer visão que possa implicar na divisão ultrapassada do mundo em zonas de influência. Reiteraram, nesse contexto, a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio”.

Alinhamento com Colômbia e Canadá

Lula também manteve conversas separadas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, sobre o mesmo tema.

Em comunicado conjunto, Brasil e Colômbia negaram a legitimidade da ação do governo de Donald Trump contra Maduro e concordaram que “a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano”.

Os dois governos destacaram ainda que a ação norte-americana constitui “um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional”.

Na conversa com o líder canadense, ambos reafirmaram apoio a um processo de transição pacífico no país, que deve ocorrer “de forma negociada e sob liderança dos próprios venezuelanos”, conforme comunicado do gabinete de Carney.

Ajuda humanitária e tensões regionais

O governo brasileiro informou que está em processo de enviar 40 toneladas de insumos e medicamentos para a Venezuela, de um total de 300 toneladas já arrecadadas. As doações visam reabastecer estoques de produtos para diálise em um centro de abastecimento atingido por bombardeios em 3 de janeiro.

As discussões ocorrem em meio a crescentes tensões diplomáticas na região. O presidente colombiano, Gustavo Petro, trocou farpas públicas com Donald Trump, que chegou a afirmar que uma ação militar na Colômbia “soava bem”. Petro respondeu chamando o presidente norte-americano de senil.

O convite de Lula a Sheinbaum reforça a busca por um posicionamento coordenado entre os principais países da América Latina frente à crise venezuelana e às intervenções externas na região.

Fonte: G1