O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve um contato telefónico com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na manhã de sábado, 3 de janeiro. A conversa, descrita por fontes do Palácio do Planalto como “super rápida”, foi iniciada por Lula para confirmar as informações divulgadas pelos Estados Unidos sobre a captura de Nicolás Maduro.
Durante a ligação, Delcy Rodríguez confirmou a prisão do líder venezuelano, mas indicou que, naquele momento, não possuía detalhes sobre o seu paradeiro. Apenas após este contacto, o governo brasileiro emitiu uma nota oficial condenando a ação militar norte-americana.
As relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela encontram-se fragilizadas desde a reeleição contestada de Maduro, em julho de 2024. O Brasil questionou os resultados anunciados por Caracas e solicitou, sem sucesso, a apresentação das atas eleitorais. Adicionalmente, o governo brasileiro posicionou-se contra a entrada da Venezuela no bloco económico BRICS.
Nesta segunda-feira, 5 de janeiro, o Brasil reforçou a sua posição no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O embaixador Sérgio Danese condenou veementemente a intervenção armada dos EUA na Venezuela, que resultou na captura de Maduro.
“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou Danese. “Os bombardeios e a captura do presidente ultrapassam uma linha inaceitável e constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela.”
O diplomata alertou que aceitar ações deste tipo poderia conduzir a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”. A declaração na ONU está alinhada com a nota oficial divulgada pelo Planalto, assinada pelo presidente Lula.
Fonte: G1