O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela como uma grave falta de respeito à soberania nacional e afirmou que a América Latina não se submeterá a pressões externas. Em discurso contundente, o mandatário brasileiro expressou indignação com a violação da integridade territorial venezuelana.

“Como é possível tamanha falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul, que é um território de paz. Não temos armas nucleares, não temos bomba atômica. Temos apenas pessoas que desejam trabalhar, viver com dignidade, alimentar-se e estudar”, declarou Lula.

O presidente enfatizou a postura firme da região: “Não possuímos poderio militar comparável, mas temos caráter e dignidade. Não abaixaremos a cabeça para ninguém. Dialogaremos de igual para igual, com respeito à soberania de nossos povos. Este princípio aplica-se a todas as nações”.

Cenário geopolítico preocupante

Lula avaliou que o mundo enfrenta um momento crítico no plano político, com o multilateralismo sendo substituído por ações unilaterais. “Vivemos uma fase muito delicada na política mundial. O multilateralismo está sendo descartado em favor do unilateralismo. Prevalece a lei do mais forte. A Carta da ONU está sendo rasgada”, alertou.

O presidente citou instabilidades democráticas recentes no Chile, Venezuela, Paraguai, Equador, Costa Rica, Honduras e a eleição de Donald Trump nos EUA como sintomas deste contexto global conturbado. Para Lula, esta realidade contradiz a agenda de reformas defendida pelo Brasil desde 2003, especialmente a ampliação do Conselho de Segurança da ONU.

Diplomacia ativa em defesa do diálogo

O mandatário brasileiro revelou ter intensificado contatos diplomáticos nas últimas semanas, conversando com líderes de diversos países incluindo Rússia, China, Índia, Hungria e México. O objetivo é articular uma resposta internacional ao enfraquecimento do multilateralismo e promover uma reunião que reafirme o compromisso com o diálogo entre nações.

“O Brasil deseja manter relações com todos os países: Estados Unidos, Cuba, China, Rússia. Não temos preferências ideológicas. O que não aceitamos é retornar a uma condição colonial, submetendo-nos a ordens externas”, afirmou Lula.

Críticas à retórica belicista

O presidente brasileiro rejeitou confrontos armados e criticou discursos que exaltam o poder militar como instrumento de intimidação internacional. “Não desejo guerras. Sou um homem da paz. Não pretendo confrontar militarmente Estados Unidos, China, Rússia, Uruguai ou Bolívia”, declarou.

Lula contrastou esta postura com a realidade das Forças Armadas brasileiras, que não disputam poderio com grandes potências militares. “Prefiro o que chamo de ‘guerra do convencimento’, baseada em argumentos sólidos e na demonstração de que a democracia é imbatível. Cooperação e compartilhamento de experiências são mais eficazes que imposições pela força”, concluiu.