O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (9) que se o presidente norte-americano, Donald Trump, soubesse do seu “parentesco com Lampião”, não provocaria o Brasil. A declaração, feita em tom de brincadeira, ocorreu durante cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo.

“Quando eu viajar [para os EUA], eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe? Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, argumentou Lula.

Em seguida, o presidente ponderou que não quer briga com Trump, já que haveria o risco de o Brasil ganhar. “Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer? Então, a briga do Brasil é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, justificou.

Lula ressaltou que foi o multilateralismo que garantiu a paz em uma parte do mundo após a Segunda Guerra Mundial e criticou o unilateralismo. “O unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós, não interessa”, disse.

Encontro com Trump em março

Em 26 de janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone e combinaram um encontro em Washington para março. A visita ocorre em meio a discussões sobre cooperação em áreas estratégicas, especialmente segurança pública.

O governo brasileiro manifestou interesse em ampliar a parceria nas áreas de repressão à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A expectativa é que Lula também aproveite para reiterar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Investimentos no Butantan

Durante o evento no Instituto Butantan, o presidente anunciou investimentos de R$ 1,4 bilhão para ampliar a estrutura do instituto e aumentar a capacidade de produção de vacinas e insumos imunobiológicos. Isso inclui a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) para imunizantes como a DTPa e a vacina contra o HPV, visando reduzir a dependência de importações.

O governo também anunciou o início da vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da Atenção Primária do SUS, utilizando uma vacina 100% nacional desenvolvida pelo Butantan.

Lula tem usado agendas na área da saúde para reforçar críticas à condução do governo anterior durante a pandemia, defendendo a ciência e as vacinas. O tema deve ocupar espaço na estratégia política do governo em 2026, ano eleitoral.

Estiveram presentes na cerimônia o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também criticou a política antivacina de Trump.