O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (9) o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto para reuniões de trabalho. Durante o encontro, os líderes assinaram acordos para ampliar a relação bilateral e discutiram temas estratégicos como defesa, comércio e exploração de recursos minerais.
Em declaração conjunta à imprensa, Lula destacou as similaridades entre os dois países e fez um alerta sobre a necessidade de preparo militar. “Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atômica, aqui os nossos drones são para agricultura, para fins de tecnologia e não para guerra. Então, nós pensamos em defesa como dissuasão, mas eu não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que, se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, argumentou.
O presidente brasileiro defendeu a produção conjunta de equipamentos de defesa: “Não precisamos ficar comprando dos senhores das armas, nós poderemos produzir. O que precisa é nós nos convencermos que ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”.
Cooperação em minerais críticos
Lula destacou o potencial dos dois países na área de minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital. “Precisamos de um levantamento concreto do que o África do Sul tem de minerais críticos e de terras raras. O Brasil, até agora, conhece o potencial de 30% do seu território e temos muita coisa”, afirmou.
O presidente foi enfático sobre a necessidade de processar os recursos localmente: “E já está avisado ao mundo que o Brasil não vai fazer das terras raras e dos minerais críticos o que foi feito com minério de ferro. A gente vendeu o minério e compramos produto acabado pagando cem vezes mais caro. Agora, a parceria tem que ser feita para que o processo de transformação seja feita aqui no Brasil”.
Relação comercial abaixo do potencial
A corrente de comércio entre Brasil e África do Sul foi de US$ 2,2 bilhões em 2025, valor que Lula considera abaixo do potencial. “Concluímos acordos de turismo, investimentos, e quando nos encontramos no G20 ano passado, constatamos que a relação comercial não está à altura do potencial das nossas economias. Está estagnado há quase 20 anos”, ponderou.
“Não existe explicação para não termos um comércio acima de US$ 10 bilhões, alguma coisa está faltando”, completou o presidente brasileiro, que convidou Ramaphosa para trabalhar na ampliação das relações econômicas.
Preocupação com conflitos internacionais
Lula também expressou preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio e seus impactos globais: “Expus ao presidente Ramaphosa minha profunda preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, com impactos humanitário e econômico de amplo alcance”.
O presidente alertou sobre os efeitos nos preços da energia: “É importante lembrar que, por conta da guerra do Irã, o preço do combustível já está subindo em quase todo o mundo. O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo”.
A visita de Ramaphosa ao Brasil incluiu reuniões com empresários e um almoço no Palácio do Itamaraty, reforçando a estratégia brasileira de diversificar parceiros comerciais após as tarifas impostas pelos Estados Unidos.