Em um telefonema de reaproximação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e os dois acertaram uma reunião presencial. O encontro terá como pauta principal os recentes reveses do governo na Casa e a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo interlocutores, Alcolumbre levará a Lula a avaliação de que o governo tem cometido erros na articulação de pautas prioritárias. O parlamentar citará como exemplos a falta de articulação que levou à perda da medida provisória sobre datacenters e o que classificou como uma “trapalhada da base governista” na votação que resultou na quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS.

Na ocasião, governistas recorreram a Alcolumbre argumentando falhas na contagem de votos, mas o presidente do Senado rejeitou o pedido, afirmando que a decisão foi estritamente regimental. Nos bastidores, Alcolumbre disse a aliados que o governo, em especial o líder Randolfe Rodrigues (PT-AP), “comeu mosca”.

A reunião também servirá para tratar da tensa relação entre Alcolumbre e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), com quem o amapaense rompeu laços no fim do ano passado.

Indicação de Messias ao STF

Do lado do governo, a expectativa é que Lula articule com Alcolumbre a aprovação da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. A escolha foi feita em 20 de novembro, mas a mensagem oficial não foi enviada por receio de rejeição.

Alcolumbre ficou insatisfeito com a escolha, pois esperava emplacar seu antecessor e aliado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Questionado na semana passada, o presidente do Senado disse apenas que aguarda a mensagem do governo.