O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, durante a abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho, a construção de um acordo entre empresários, trabalhadores e governo para discutir o fim da escala de trabalho 6 por 1. Lula também propôs que as jornadas de trabalho sejam diferenciadas por categoria, reconhecendo especificidades setoriais.

“Não iremos contribuir para prejudicar os trabalhadores e também não queremos contribuir para prejuízo da economia brasileira. Queremos contribuir para, de forma bem pensada e harmonizada, a gente possa encontrar uma solução”, afirmou o presidente, destacando a necessidade de equilíbrio.

A ministra Simone Tebet (Planejamento) reforçou a posição, afirmando que estudos do Ipea mostram ser “plausível e mais do que justo” garantir a dignidade dos trabalhadores com o fim da escala 6×1. “Falta apenas boa vontade para sentar à mesa”, disse.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, sinalizou que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso Nacional sobre o tema, caso perceba que as propostas em tramitação não avançam na velocidade desejada. Um projeto com urgência presidencial tranca a pauta e deve ser votado em até 45 dias em cada Casa.

O debate ocorre em meio à resistência do setor produtivo à redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, bandeira de campanha de Lula. O argumento empresarial é o aumento de custos, que poderia ser repassado aos consumidores.