Luana Lara, brasileira de 29 anos, cofundadora e diretora de operações da startup de previsões Kalshi, tornou-se a mulher mais jovem do mundo a construir sua própria fortuna e alcançar o status de bilionária sem herança, segundo a revista Forbes.
A Kalshi funciona como uma bolsa especializada em contratos de eventos, onde os usuários negociam com base na probabilidade de acontecimentos futuros, como variações da inflação ou paralisação do governo dos Estados Unidos.
Lara alcançou o topo da lista de mulheres bilionárias self-made após a empresa levantar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) em uma rodada de investimentos no final de 2025, liderada pela Paradigm e com participação de gigantes como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator.
O valor de mercado da Kalshi disparou mais de cinco vezes no último ano, saltando de US$ 2 bilhões (R$ 10,7 bilhões) em junho para US$ 11 bilhões (R$ 58,8 bilhões) em dezembro, elevando significativamente o patrimônio dos cofundadores. Seu sócio, Tarek Mansour, também entrou para a lista de bilionários.
Trajetória e formação
Formada em Ciência da Computação pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Luana Lara nasceu no Brasil na segunda metade dos anos 1990. Durante a escola, destacou-se conquistando medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e bronze na Olimpíada Catarinense de Matemática.
Antes de ingressar no ensino superior, Lara estudou na Escola de Teatro Bolshoi do Brasil e atuou como bailarina profissional na Áustria por nove meses.
No MIT, conheceu Tarek Mansour. Ambos ingressaram no mercado financeiro ainda na faculdade: Mansour trabalhou no Goldman Sachs e Lara na gestora de fundos Bridgewater.
O nascimento da Kalshi
Durante essa experiência, os dois perceberam que muitas decisões financeiras eram baseadas em previsões de eventos futuros, mas não existia uma forma direta para as pessoas negociarem com base nesses resultados.
Assim, em 2018, fundaram a Kalshi com o objetivo de criar uma plataforma de negociação mais simples e direta, focada no resultado de eventos específicos.
Em 2020, a empresa obteve aprovação regulatória da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), tornando-se a primeira bolsa totalmente regulamentada nos EUA para contratos de eventos, equiparando-se a gigantes como a Chicago Mercantile Exchange (CME).
Um marco significativo ocorreu quando a Kalshi, após uma batalha judicial, tornou-se a primeira plataforma totalmente regulamentada a oferecer negociação legal de resultados eleitorais nos Estados Unidos, após a CFTC inicialmente negar a autorização por receio de manipulação.