O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, conhecida como Will Bank, dois meses após a liquidação do Banco Master, seu controlador. A decisão levanta uma questão central: por que o desfecho veio apenas agora?

A resposta está em uma combinação de fatores. Após a liquidação do Master, o Will Bank passou a operar sob gestão do BC, que assumiu temporariamente o controle para evitar prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro. Segundo o órgão, houve uma tentativa de preservar a operação da instituição, visando ao interesse público.

De acordo com apurações, o Will Bank ainda não havia sido liquidado para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrava interesse na compra. O negócio, porém, não foi concluído.

O cenário se agravou quando a instituição descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard, o que levou à suspensão da aceitação de seus cartões. Em nota, o BC citou este impasse para justificar a liquidação, afirmando que o cenário comprometeu a situação econômico-financeira da instituição e caracterizou sua insolvência.

O BC destacou que a insolvência do Will estava associada ao vínculo com o Banco Master. Embora não tenha sido liquidado junto, a deterioração do conglomerado e a impossibilidade de separar completamente a gestão e os riscos entre as empresas produziram um efeito retardado, mas inevitável.

O Will acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos e aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes com a Mastercard. Com a hipótese de venda descartada e o controlador Master já liquidado, o BC concluiu que a liquidação do Will era a única alternativa.

O caso do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, envolvia dificuldades financeiras, alto custo de captação e forte exposição a investimentos arriscados. Tentativas de venda não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle e falta de transparência.