A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central, interrompeu as operações do banco digital. A medida, que segue a liquidação do seu controlador, o Banco Master, gera dúvidas urgentes entre correntistas e investidores sobre o destino de seus recursos. Clientes já relatam que, embora o aplicativo ainda possa ser acessado, transações como compras, pagamentos e PIX não são concluídas.

O que muda para quem tinha conta no Will Bank?

Com a liquidação, todas as atividades do banco são interrompidas. Contas correntes, de pagamento e serviços relacionados deixam de funcionar. Os valores dos clientes integram o processo de liquidação e serão pagos conforme as garantias existentes e a ordem legal de preferência entre credores, sob responsabilidade do liquidante nomeado pelo BC.

Quem tinha dinheiro em conta corrente ou aplicações simples está protegido?

Sim, dentro dos limites. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre depósitos e produtos elegíveis (como poupança e CDBs) até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira. Clientes do Will Bank que se enquadram nestas regras têm essa proteção.

É possível movimentar o saldo em conta depois da liquidação?

Não. Os saldos ficam bloqueados a partir da decretação da liquidação. Para valores cobertos pelo FGC (até R$ 250 mil), o cliente deve solicitar o ressarcimento diretamente ao fundo, normalmente via seu aplicativo. Valores acima desse limite entram no processo de liquidação e sua recuperação, parcial ou total, dependerá do rateio entre os credores ao longo do tempo.

E quem investiu em CDBs emitidos pelo Will Bank?

Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Will Bank também são cobertos pelo FGC, dentro do mesmo limite de R$ 250 mil por pessoa. Investidores com CDBs elegíveis devem ter seus recursos protegidos até esse teto.

Existe diferença entre ser correntista e ser investidor no processo de liquidação?

A principal diferença está no tipo de produto, mas a proteção do FGC pode se aplicar a ambos (depósitos e CDBs), desde que respeitadas as condições. Valores que excedam o limite garantido por qualquer produto entram no processo de liquidação como créditos comuns.

O que acontece com os cartões de crédito após a liquidação?

Os serviços de cartão de crédito são suspensos. Na prática, o cartão deixa de funcionar para novas transações imediatamente após a liquidação, pois a instituição emissora não está mais em operação.

E a fatura do cartão que já foi gerada, precisa ser paga?

Sim. A liquidação do banco não extingue automaticamente as dívidas existentes. As faturas já geradas e os gastos realizados antes da liquidação continuam sendo uma obrigação financeira do cliente. As bandeiras (Mastercard, Visa, Elo) suspendem a aceitação para novas compras, mas as dívidas anteriores permanecem.

Posso ser cobrado ou negativado por não pagar a fatura?

Sim. As dívidas de cartão de crédito não são anuladas pela liquidação. Se a fatura não for paga, o cliente pode sofrer as consequências habituais do inadimplemento, como cobrança de juros e inclusão do nome em cadastros de restrição ao crédito. Pode haver dificuldade operacional para acessar boletos ou o aplicativo, mas a obrigação persiste.

O Will Bank já estava sob algum tipo de intervenção antes da liquidação?

Sim. O banco operava sob o Regime Especial de Administração Temporária (Raet), no qual o BC substitui os dirigentes por um gestor indicado. O objetivo era evitar maior deterioração financeira e tentar a venda da instituição, o que não se concretizou.

O que levou à decisão final pela liquidação?

O BC decretou a liquidação após constatar que a situação econômica do Will Bank estava comprometida, com incapacidade de honrar dívidas. A tentativa de venda sob o Raet não avançou e o acúmulo de obrigações não pagas inviabilizou a continuidade das operações.