O processo que apurou a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro na tentativa de golpe de Estado de 2022 teve uma trajetória marcada por mudanças no seu regime de custódia. Da prisão domiciliar à transferência para o Complexo da Papuda, entenda os principais marcos desta linha do tempo.

Agosto de 2025 – Prisão domiciliar decretada

Em 4 de agosto de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Naquele momento, o ex-presidente já era réu no processo da trama golpista, mas o julgamento ainda não havia sido concluído. Segundo o STF, a medida foi adotada após o descumprimento de restrições impostas ao investigado, no contexto de apurações sobre tentativa de obstrução do andamento da ação penal.

Setembro de 2025 – Condenação pelo STF

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente recebeu a maior pena do grupo, por ter sido considerado o líder da organização criminosa.

Novembro de 2025 – Prisão preventiva decretada

No dia 22 de novembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Bolsonaro. O magistrado apontou risco de fuga e novo descumprimento de medidas cautelares. A decisão considerou registros de violação da tornozeleira eletrônica e a convocação de uma vigília no condomínio onde Bolsonaro estava, o que, segundo o ministro, poderia dificultar a atuação policial. O ex-presidente foi levado para a Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Novembro de 2025 – Encerramento do processo

Ainda em novembro, o STF declarou encerrado o processo contra Bolsonaro e os demais integrantes do núcleo central da trama golpista, ao concluir que não havia mais possibilidade de recurso. Com isso, teve início o cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão. Bolsonaro permaneceu custodiado na PF enquanto eram definidas as condições do regime fechado.

Janeiro de 2026 – Transferência para o Complexo da Papuda

Em janeiro de 2026, Alexandre de Moraes determinou a transferência de Bolsonaro para uma unidade da Polícia Militar dentro do Complexo da Papuda, conhecida como “Papudinha”. O local é uma sala de Estado-Maior com cerca de 64,8 metros quadrados — maior que a cela anterior — dividida em quarto, sala, cozinha, lavanderia e área externa privativa. Na decisão, o ministro estabeleceu condições específicas para o cumprimento da pena, incluindo: assistência médica integral, fisioterapia, alimentação especial, visitas semanais da esposa e dos filhos, assistência religiosa, autorização para leitura e adaptações estruturais, como grades de proteção e barras de apoio na cama.