O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, entregou sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última quinta-feira (8). A formalização foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na sexta-feira (9), que também informou que o secretário-executivo do ministério, Manoel Almeida, assumirá interinamente o cargo.

Desde o anúncio, diversas autoridades públicas prestaram homenagens a Lewandowski, destacando sua gestão à frente da pasta. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, elogiou publicamente o colega, afirmando que sua atuação foi “marcada pelo fortalecimento do enfrentamento ao crime organizado, ancorado em planejamento, inteligência policial e cooperação entre instituições”. Mendes também citou as grandes operações da Polícia Federal e a apresentação de projetos como a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifacções como legados importantes.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, nomeado por Lula para uma vaga no STF, declarou-se “discípulo e admirador” de Lewandowski. Em sua mensagem, Messias destacou os avanços conquistados nos dois anos de gestão, o comprometimento do ministro e sua habilidade em promover a união em torno de objetivos republicanos, mesmo diante de desafios complexos.

Outros membros do governo também se manifestaram. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, parabenizou Lewandowski pelo “importante legado”, citando operações de repercussão nacional e o avanço no uso de câmeras por policiais. Já o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, agradeceu publicamente pela “confiança, parceria e lealdade” durante a gestão, ressaltando que Lewandowski fortaleceu a atuação das instituições com independência e foco no interesse nacional.

Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça em fevereiro de 2024, logo após se aposentar do STF, onde atuou por 17 anos. Sua saída ocorre em um momento de grande protagonismo do tema da segurança pública no Brasil e na América Latina, marcado pelo avanço de organizações criminosas. Ele deixa o cargo sem conseguir a aprovação da PEC da Segurança Pública, principal proposta do governo Lula na área, que prevê maior participação da União no combate ao crime organizado.

Segundo apuração da TV Globo, entre os motivos para a saída antecipada estaria a retomada de articulações no governo para dividir a pasta em dois ministérios distintos: um da Justiça e outro da Segurança Pública, como ocorreu no governo de Michel Temer.

Em sua trajetória, Lewandowski, formado em direito, foi indicado ao STF por Lula em 2006. Na Corte, atuou como revisor do julgamento do mensalão, presidiu a sessão do impeachment de Dilma Rousseff no Senado e foi relator de decisões emblemáticas, como a que confirmou a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa. Ele se aposentou do Supremo em abril de 2023.

Fonte: G1