As mortes cometidas por policiais aumentaram 4,5% em todo o Brasil durante o ano de 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O levantamento, atualizado em fevereiro de 2026, revela que 17 estados registraram crescimento neste indicador, enquanto nove apresentaram queda e o Distrito Federal manteve a mesma cifra do ano anterior.
Em números absolutos, a Bahia lidera o ranking nacional com 1.569 mortes, seguida por São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798). No entanto, quando analisada a taxa por 100 mil habitantes, o Amapá aparece em primeiro lugar com 17,11 mortes, à frente da Bahia (10,55) e do Pará (7,28).
O caso mais expressivo de aumento percentual foi registrado em Rondônia, onde as mortes saltaram de 8 em 2024 para 47 em 2025 – um crescimento de 488%. Segundo o Ministério Público do estado, o aumento em Porto Velho está relacionado a conflitos entre facções criminosas, o que levou a um reforço nas operações policiais.
Esta tendência de alta na letalidade policial contrasta com a queda geral nas mortes violentas no país, que registrou redução pelo quinto ano consecutivo. As estatísticas mostram que, em uma década, as mortes cometidas por policiais aumentaram 170% no Brasil.
Especialistas em segurança pública apontam que os números refletem uma política de segurança focada no confronto. “Persiste a ideia de que não se trata de algo ideológico de uma determinada corrente política. Esquerda e direita navegam nas mesmas águas, apostam na letalidade”, avalia o tenente-coronel aposentado da PM-SP, Adilson Paes de Souza.
Paralelamente, as mortes de agentes de segurança registraram queda de 8% em 2025, totalizando 185 casos. O Rio de Janeiro concentrou 42% dessas mortes (77 casos). Os suicídios entre policiais também diminuíram 13%, passando de 151 para 131 registros – o que ainda representa um suicídio a cada três dias no país.