O Brasil registrou um aumento de 4,5% nas mortes cometidas por policiais em 2025, totalizando 6.519 casos ao longo do ano, conforme dados divulgados pelo Ministério da Justiça. Isso representa uma média de aproximadamente 18 mortes por dia. Os números foram atualizados nesta terça-feira (3) e são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao ministério.
Em contraste, o ano de 2025 apresentou queda nas mortes de policiais em serviço (185 casos, redução de 8%) e também nos casos de suicídio entre agentes de segurança (131 casos, queda de 13%).
Os estados com o maior número absoluto de mortes cometidas por policiais foram Bahia (1.569), São Paulo (835) e Rio de Janeiro (798). O Rio de Janeiro registrou a maior alta percentual, de 13%. Já as maiores taxas de letalidade policial por 100 mil habitantes foram observadas no Amapá (17,11), Bahia (10,55) e Pará (7,28).
Analisando uma década, o crescimento nas mortes cometidas por policiais chega a 170%, indicando uma tendência de alta sustentada. Especialistas apontam para a persistência de uma lógica de segurança pública focada na eliminação.
“Persiste a ideia de que não se trata de algo ideológico de uma determinada corrente política. Esquerda e direita navegam nas mesmas águas, apostam na letalidade”, avalia o tenente-coronel aposentado da PM-SP, Adilson Paes de Souza.
Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, critica a falta de efetividade nas políticas de fornecimento de armas não letais. “Continuamos tendo no Brasil patamares muito altos de uso da força policial. Mas essa não é uma preocupação dos estados em geral”, afirma.
O Rio de Janeiro concentrou 77 das 185 mortes de policiais em 2025, representando quase 42% do total nacional e uma alta de 35% em relação a 2024. Ações de grande porte, como a operação no Complexo da Penha e Alemão em outubro de 2025 – que resultou em 121 mortos (117 suspeitos e 4 policiais) – são citadas como exemplos de situações de alto risco.
“Em resumo, continua matando muita gente, continua morrendo muitos policiais e ninguém está ficando seguro. Temos uma espetacularização das mortes produzidas pela polícia e temos cada vez mais a aposta na letalidade no confronto, como sinônimo de eficiência”, conclui Adilson Paes de Souza.