O juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida, reconheceu oficialmente nesta quinta-feira (8) a liquidação extrajudicial do Banco Master decretada pelo Brasil. A decisão determina o bloqueio de todos os ativos do banco e de suas empresas controladas nos Estados Unidos, atendendo a um pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas, a liquidante nomeada pelo Banco Central (BC).
A medida judicial também se aplica às empresas do grupo: Banco LetsBank S.A., Banco Master de Investimento S.A. e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. O juiz Grossman afirmou que “o processo de liquidação brasileiro terá plena força e efeito e será vinculante e exequível nos Estados Unidos contra todas as pessoas e entidades”.
Na prática, a decisão suspende qualquer ação judicial ou medida de execução contra os bens do Banco Master em território americano. Isso significa que credores estão impedidos de cobrar, penhorar ou tentar tomar ativos dos devedores enquanto a medida estiver vigente. A EFB também foi autorizada a coletar provas e requisitar informações sobre os ativos e negócios do grupo nos EUA.
Contexto e Reação do TCU
A decisão da Justiça americana ocorre após uma semana de tensões no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o caso. Advogados do controlador do Master, Daniel Vorcaro, haviam acionado a corte americana para tentar barrar o reconhecimento da liquidação, citando uma inspeção no BC determinada pelo ministro Jhonatan de Jesus.
No entanto, mais cedo na mesma quinta-feira, o próprio ministro Jhonatan suspendeu a inspeção, acolhendo um recurso do Banco Central. A autoridade monetária argumentou que tal medida só poderia ser aprovada por um colegiado do tribunal, não por um ministro isoladamente. O presidente do TCU, Vital do Rêgo, decidiu submeter todo o caso ao plenário da corte.
O clima no TCU ficou mais tenso após revelações de que influenciadores estariam sendo contratados para atacar o Banco Central e defender o Master nas redes sociais. A Polícia Federal anunciou a abertura de um inquérito para investigar quem estaria financiando essa campanha.
Entenda a Crise do Banco Master
Fundado em 1974, o Banco Master passou por um crescimento acelerado após Daniel Vorcaro assumir o controle em 2019. A estratégia, porém, levantou alertas a partir de 2022. O banco passou a captar recursos pagando juros altíssimos – seus CDBs chegavam a oferecer 140% do CDI – e a direcionar esses recursos para investimentos de alto risco para sustentar os pagamentos.
Investigações da Polícia Federal indicam que parte dos recursos era usada para cobrir déficits operacionais, em um esquema que dependia da entrada constante de novos investidores. A PF também apurou indícios de que o banco teria inflado artificialmente sua carteira de crédito e emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro suficiente.
Em março de 2025, uma tentativa de venda de 58% do capital para o BRB por cerca de R$ 2 bilhões foi alvo de críticas do Ministério Público, que apontou falta de transparência. As investigações também apontam operações suspeitas envolvendo a revenda de créditos da empresa Tirreno ao BRB.
Diante do quadro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025, interrompendo suas atividades e acionando o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para indenizar correntistas e investidores dentro do limite legal. A Justiça brasileira também determinou o bloqueio de bens de controladores e ex-executivos.
Fonte: G1 (https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/01/08/liquidacao-banco-master.ghtml)