A taxa média de juros cobrada pelos bancos em operações com pessoas físicas e empresas registrou uma alta expressiva de 6,5 pontos percentuais em 2025, encerrando o mês de dezembro em 47,2% ao ano, conforme dados divulgados pelo Banco Central. Este foi o maior aumento anual desde 2022.

O cenário de aperto monetário, com a taxa Selic subindo 2,25 pontos percentuais no ano e mantida em 15% ao ano – o maior patamar em quase duas décadas –, pressionou os custos do crédito. Os bancos não apenas repassaram o aumento dos juros básicos, definidos para conter a inflação, como também ampliaram suas margens, elevando as taxas acima desse referencial.

Alta generalizada nas operações

O juro médio para empresas saltou de 21,7% para 25% ao ano entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, uma alta de 3,3 pontos percentuais. Para pessoas físicas, o aumento foi ainda mais acentuado: de 53,1% para 60,1% ao ano, um avanço de 7 pontos percentuais.

Linhas específicas também tiveram comportamento distinto:

  • Cheque especial: A taxa subiu de 134,8% para 138,6% ao ano (+3,8 p.p.).
  • Cartão de crédito rotativo: Apesar de uma queda de 13,6 pontos percentuais (de 451,6% para 438% ao ano), permanece como a linha de crédito mais cara do mercado, custando cerca de 30 vezes a taxa Selic. A regra do CMN que limita a dívida total a 100% do valor original, em vigor desde 2023, não foi suficiente para trazer o custo para patamares considerados razoáveis.

Crédito perde fôlego e inadimplência atinge pico histórico

O volume total de crédito em mercado cresceu 10,2% em 2025, alcançando R$ 7,12 trilhões. No entanto, houve uma desaceleração clara em relação ao crescimento de 11,5% observado em 2024 (valor ajustado). O Banco Central projeta uma desaceleração ainda maior para 2026, com expansão estimada em 8,6%.

Paralelamente, a taxa de inadimplência média disparou, fechando 2025 em 4,1% – um salto significativo frente aos 3% do final de 2024. Este é um novo recorde na série histórica do BC, iniciada em março de 2011, superando o pico anterior de 4% registrado em novembro de 2025.

  • Pessoas físicas: A inadimplência subiu de 3,5% para 5% (alta de 1,5 p.p.), maior valor desde dezembro de 2012.
  • Empresas: A taxa cresceu de 2% para 2,5% (alta de 0,5 p.p.), atingindo o maior patamar desde outubro de 2025.

O cenário combina o custo mais elevado do dinheiro, o crédito em desaceleração e o aumento do não pagamento de dívidas, refletindo os desafios da economia sob juros altos.