A primeira-dama Janja Lula da Silva anunciou que desistiu de desfilar na Sapucaí durante o carnaval para evitar a “possibilidade de perseguição” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o mandatário.

Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Janja afirmou que, mesmo com segurança jurídica para desfilar, optou por não o fazer para estar ao lado do presidente e evitar que a escola fosse alvo de ações judiciais. A primeira-dama compareceu à concentração da agremiação antes do desfile e depois assistiu à apresentação ao lado de Lula em um camarote.

A decisão ocorre em meio a protestos da oposição, que acionou a Justiça Eleitoral contra o desfile, argumentando propaganda eleitoral antecipada. O enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” foi alvo de pelo menos dez ações judiciais e no Tribunal de Contas da União (TCU) antes do carnaval.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou uma liminar para proibir o desfile, mas alertou que condutas na avenida poderiam configurar crime eleitoral. Após a apresentação, o Partido Novo anunciou que acionará a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula, que buscará a reeleição.

O desfile da Acadêmicos de Niterói, que estreou no Grupo Especial, contou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste até a Presidência. A escola incluiu representações de ex-presidentes, incluindo Jair Bolsonaro, e fez críticas às políticas sociais de seu governo e ao enfrentamento da pandemia.

Em resposta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou em redes sociais: “Só para registrar um fato histórico: quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”.

Lula, que também passou pelos carnavais de Recife e Salvador, publicou mensagem nas redes sociais expressando “honra e alegria” por acompanhar os desfiles no Rio de Janeiro.