A primeira-dama Janja da Silva revelou publicamente nesta terça-feira (3) que foi vítima de assédio em duas ocasiões distintas durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As declarações foram feitas durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, em um debate sobre o aumento dos casos de feminicídio e a vulnerabilidade das mulheres.
“Está insuportável para nós mulheres. Eu, como primeira-dama, não tenho segurança em nenhum lugar que eu estou. Eu já fui assediada neste período duas vezes. Eu sendo primeira-dama, estando nos lugares que acho que me são seguros e, mesmo assim, fui assediada”, afirmou Janja.
A primeira-dama destacou a gravidade da situação ao fazer um paralelo com a realidade de outras mulheres: “Se eu, enquanto primeira-dama, que tenho toda uma equipe em torno, um olhar, câmeras, cuidados, sou assediada, imagina uma mulher no ponto de ônibus 10 horas da noite. A gente não tem segurança em nenhum lugar.”
Contexto do debate e caso internacional
O relato de Janja ocorreu durante uma discussão sobre o preocupante cenário de violência contra a mulher no Brasil. Os participantes do programa também mencionaram o episódio de assédio sexual sofrido pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, no ano passado, quando foi abordada de forma inadequada na rua enquanto cumprimentava apoiadores. Sheinbaum classificou o ocorrido como “lamentável” e anunciou que tomaria medidas judiciais contra o agressor.
Recorde de feminicídios no Brasil
Os dados mais recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam um cenário alarmante: em 2025, o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio, superando o recorde anterior de 1.464 registros em 2024. Os números evidenciam uma violência extrema, frequentemente praticada no contexto de relações afetivas marcadas por históricos de ameaças, agressões e perseguição.
Resposta institucional: o Pacto Nacional
Diante da escalada da violência, os Três Poderes da República assinaram, no mês passado, o “Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio”. A iniciativa representa um compromisso institucional entre Executivo, Legislativo e Judiciário para combater a violência letal contra mulheres e meninas.
O presidente Lula tem adotado um discurso mais firme sobre o tema desde o final do ano passado, cobrando uma mudança de postura dos homens e assumindo a coordenação deste pacto. Segundo o próprio presidente, foi um pedido da primeira-dama Janja que o levou a encabeçar uma luta mais dura contra a violência de gênero.
Apesar do anúncio do pacto e das diretrizes estabelecidas, o governo ainda não detalhou publicamente as medidas práticas e operacionais para a implementação efetiva das políticas de enfrentamento ao feminicídio.