Ivan Ralston, chef premiado do restaurante Tuju, em São Paulo, criticou duramente a forma como os reality shows de gastronomia retratam o ambiente profissional das cozinhas. Em participação na CasaFolha, o chef, que já foi convidado em um programa do gênero, expressou seu descontentamento com a produção artificial e, principalmente, com o estímulo a comportamentos agressivos e às ‘broncas’ como se fossem parte natural do trabalho.
Ralston argumenta que essa representação distorcida presta um desserviço à profissão, normalizando um clima de pressão tóxica e afastando potenciais talentos que poderiam se assustar com a imagem hostil transmitida. Para ele, uma cozinha de alto nível deve ser um espaço de concentração, técnica e trabalho em equipe, não de gritaria e estresse fabricado para a televisão.
A crítica do chef vai ao encontro de um debate mais amplo sobre a ética e a responsabilidade dos programas de competição culinária, que muitas vezes priorizam o conflito e o drama em detrimento da valorização real do ofício, da criatividade e da gestão humana nas brigadas de cozinha.