O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) revogou o visto de Darren Beattie, assessor do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que planejava uma visita ao Brasil. O objetivo principal da viagem seria encontrar-se com o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido na Papudinha, em Brasília.

A decisão do governo brasileiro baseia-se no princípio de reciprocidade, prática comum nas relações internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou claro que a entrada de Beattie no país está condicionada à liberação dos vistos da família do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que foram cancelados pelos EUA em agosto do ano passado.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, inicialmente autorizou o encontro na prisão para quarta-feira (18), mas revogou a permissão após solicitar informações ao Itamaraty. O ministério alertou que uma reunião entre um assessor de Trump e Bolsonaro poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.

Fontes diplomáticas afirmam que o Itamaraty soube da viagem através da imprensa, já que não foi informado previamente pela embaixada norte-americana. O encarregado de Negócios dos EUA, Gabriel Escobar, foi convocado para prestar esclarecimentos e afirmou que o motivo oficial da viagem seria a participação num fórum sobre terras raras.

No entanto, fontes ligadas ao governo americano confirmaram que Beattie priorizaria a visita a Bolsonaro. Com o veto de Moraes, os planos foram frustrados, mas a viagem ao Brasil seria mantida para outros compromissos, incluindo um encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e encontra-se internado desde sexta-feira (13) no Hospital DF Star, em Brasília, diagnosticado com broncopneumonia.