O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) manifestou ao Supremo Tribunal Federal (STF) preocupação com o pedido de um assessor sênior do governo Donald Trump para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. Em documento enviado ao ministro Alexandre de Moraes, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a visita “pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, especialmente em ano eleitoral.

A solicitação partiu da defesa de Bolsonaro, que pediu autorização para que Darren Beattie, assessor de Trump para políticas relacionadas ao Brasil, visitasse o ex-presidente no 19º Batalhão da Polícia Militar (Papudinha), onde cumpre pena de 27 anos por envolvimento na tentativa de golpe de 2022.

Inicialmente, Moraes autorizou a visita para o dia 18 de março, mas a defesa recorreu, alegando que Beattie teria compromissos em São Paulo naquela data e solicitou a mudança para o dia 17. O ministro então requisitou informações ao Itamaraty sobre a agenda diplomática do assessor norte-americano.

Em resposta, o MRE informou que a Embaixada dos EUA em Brasília só solicitou, na quarta-feira (11), o agendamento de reuniões oficiais de Beattie para o dia 17 – uma com a Coordenação-Geral de Combate a Ilícitos Transnacionais e outra com o secretário de Europa e América do Norte. Nenhuma das reuniões estava confirmada até o momento do ofício.

O Itamaraty destacou que, no processo inicial de concessão de visto, “não constava qualquer menção a eventual interesse do visitante em realizar encontros ou visitas não relacionadas aos objetivos oficialmente comunicados”. O ministério afirmou que o pedido de visita a Bolsonaro “jamais tramitou pelo Ministério das Relações Exteriores” e foi feito “em momento posterior” ao pedido de visto, sem relação com os propósitos originais da viagem informados pelo governo dos Estados Unidos.