O Irã fechou parcialmente o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo, para a realização de exercícios militares da Guarda Revolucionária. O bloqueio temporário, que durou algumas horas, ocorre em um momento de alta tensão nas negociações nucleares indiretas entre Teerã e Washington.

O fechamento foi justificado por “precauções de segurança” durante os exercícios, conforme relatado pela agência de notícias iraniana Fars. A medida escalou as tensões em uma semana crucial, com diplomatas dos dois países reunidos em Genebra, na Suíça, para tentar destravar o impasse sobre o programa nuclear iraniano.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, aproveitou o momento para enviar um recado firme aos Estados Unidos. “O presidente dos EUA diz que seu exército é o mais forte do mundo, mas o exército mais forte do mundo às vezes pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar”, declarou, em comentários publicados pela mídia estatal.

As negociações em Genebra, mediadas por Omã, contam com a participação de enviados norte-americanos e do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi. O sucesso do diálogo, segundo uma autoridade iraniana, depende da disposição dos EUA em suspender as sanções econômicas que estrangulam a economia do país.

Enquanto isso, a presença militar na região permanece massiva. Dezenas de navios de guerra norte-americanos, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, estão posicionados no Oriente Médio. Recentemente, os EUA enviaram o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao Irã.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre expressar esperança por um acordo e fazer ameaças diretas, tendo afirmado que uma “mudança de regime” no Irã poderia ser a melhor solução. O Irã, por sua vez, já ameaçou no passado fechar completamente o Estreito de Ormuz se for atacado – uma medida que bloquearia cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e causaria um choque nos preços da commodity.

O cerne da disputa permanece o programa nuclear. Os EUA e Israel acreditam que o Irã busca uma arma atômica, enquanto Teerã insiste que suas atividades são pacíficas. O país possui um estoque significativo de urânio enriquecido a 60%, nível próximo do necessário para uma bomba, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).