O Irã declarou nesta segunda-feira (2) o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para exportação de petróleo do mundo, e ameaçou incendiar qualquer embarcação que tentar atravessá-lo. O anúncio foi feito em nome do comandante da Guarda Revolucionária iraniana na mídia estatal do país.

“O estreito (de Ormuz) está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, afirmou Ebrahim Jabari, um dos principais assessores do comandante. A medida é apresentada como uma retaliação pela morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Contudo, o Comando Central dos Estados Unidos, citado pela rede Fox News, garante que o estreito não está bloqueado, contradizendo a versão iraniana.

O fechamento do Estreito de Ormuz, que conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, representa uma grave ameaça ao comércio global de energia. A interrupção do tráfego na região poderia afetar um quinto do fluxo mundial de petróleo, com potencial para elevar drasticamente os preços do barril.

O anúncio ocorre após a Guarda Revolucionária iraniana ter realizado um ataque com drones contra o petroleiro Athen Nova, que passava pelo estreito. A ação foi confirmada por fontes à agência Reuters.

Em paralelo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, utilizou a rede social X para responsabilizar os Estados Unidos e Israel por ataques a uma escola e um hospital no Irã, que teriam causado dezenas de mortes. Nem Washington nem Tel Aviv assumiram a autoria dos bombardeios.

Do outro lado do conflito, o presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu sua ofensiva contra o Irã em discurso na Casa Branca. Trump afirmou que os ataques são a “última e melhor chance” de eliminar a ameaça do regime iraniano e estimou que o conflito pode durar “quatro ou cinco semanas ou mais”. Entre os objetivos declarados estão destruir mísseis, desmantelar a Marinha iraniana e interromper o programa nuclear do país.

Trump também reafirmou sua decisão de não retomar o diálogo com Teerã, rompendo negociações para um acordo de não proliferação nuclear, e celebrou ter “derrubado o horrível acordo nuclear” feito pela administração anterior.

A escalada do conflito, que já resultou em baixas militares norte-americanas confirmadas, coloca em risco uma rota vital para a economia global e acentua as tensões em uma das regiões mais instáveis do mundo.