O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,33% em janeiro de 2026, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, que repetiu a variação de dezembro de 2025, ficou ligeiramente acima das expectativas do mercado, que projetavam 0,32%.
Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada atingiu 4,44%, superando os 4,26% do período anterior. Em janeiro de 2025, a variação mensal havia sido de 0,16%.
Transportes lideram a alta, impulsionados por combustíveis
O grupo Transportes foi o principal responsável pela inflação do mês, com alta de 0,60% e impacto de 0,12 ponto percentual no índice geral. A pressão veio principalmente dos combustíveis, que subiram 2,14%.
- Gasolina: +2,06% (maior impacto individual: 0,10 p.p.)
- Etanol: +3,44%
- Óleo diesel: +0,52%
- Gás veicular: +0,20%
As passagens de ônibus urbano também tiveram forte alta nacional de 5,14%, influenciada por reajustes em diversas capitais:
- Fortaleza: +20,00% (desde 01/01)
- São Paulo: +6,00% (desde 06/01)
- Rio de Janeiro: +6,38% (desde 04/01)
- Salvador: +5,36% (desde 05/01)
- Belo Horizonte: +8,70% (desde 01/01)
Para conter a alta do grupo, contribuíram as quedas nas tarifas de transporte por aplicativo (-17,23%) e nas passagens aéreas (-8,90%).
Comunicação e Saúde também pressionam
Outros grupos com variações significativas foram:
- Comunicação: +0,82%, puxada por aparelhos telefônicos (+2,61%) e reajustes em planos de TV por assinatura (+1,34%).
- Saúde e cuidados pessoais: +0,70%, influenciado por artigos de higiene pessoal (+1,20%) e planos de saúde (+0,49%).
Alimentação desacelera e Habitação recua
O grupo Alimentação e bebidas desacelerou para 0,23%, a menor variação para janeiro desde 2006. A alimentação em domicílio subiu apenas 0,10%, com destaque para a alta do tomate (+20,52%) e a queda do leite longa vida (-5,59%) e dos ovos (-4,48%).
Já o grupo Habitação recuou 0,11%, puxado pela queda de 2,73% na energia elétrica. A mudança da bandeira tarifária de amarela (dezembro) para verde (janeiro) eliminou a cobrança extra sobre a conta de luz.
Variações regionais
Entre as capitais, a maior inflação mensal foi em Rio Branco (0,81%) e a menor em Belém (0,16%). No acumulado em 12 meses, Vitória e Porto Alegre lideram com 5,06%, enquanto Salvador tem a menor taxa (3,94%).