Inflação oficial do Brasil sobe 0,70% em fevereiro, pressionada por reajustes escolares e tarifas de transporte.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, registrou alta de 0,70% em fevereiro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou ligeiramente acima das projeções do mercado, que esperavam um avanço de cerca de 0,6%. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3,81%, mantendo-se dentro do intervalo de tolerância da meta, que é de 3% com limite máximo de 4,5% para 2026.
Educação lidera alta com reajuste de 5,21%
O grupo Educação foi o principal responsável pela aceleração da inflação no mês, com um aumento expressivo de 5,21%. Este avanço respondeu por 0,31 ponto percentual do índice geral, equivalente a cerca de 44% da inflação de fevereiro. Segundo o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves, o movimento é comum no início do ano letivo, mas a alta deste ano foi mais intensa que a de 2025 (4,7%), embora menor que a de 2023 (6,28%).
Os maiores reajustes foram observados em:
- Ensino médio: mensalidades subiram 8,19%.
- Ensino fundamental: preços avançaram 8,11%.
- Pré-escola: mensalidades tiveram alta de 7,48%.
Transportes têm segundo maior impacto
O grupo Transportes registrou alta de 0,74% e foi o segundo maior contribuinte para a inflação do mês, com impacto de 0,15 ponto percentual. A principal pressão veio das passagens aéreas, que subiram 11,4%. O transporte coletivo urbano também apresentou aumentos significativos em diversas capitais devido a reajustes tarifários aplicados em janeiro e fevereiro.
Principais aumentos nas tarifas de ônibus:
- Fortaleza: +20% (desde 01/01)
- Belo Horizonte: +8,7% (desde 01/01)
- São Paulo: +6% (desde 06/01)
- Rio de Janeiro: +6,38% (desde 04/01)
Algumas cidades, como Curitiba e Brasília, registraram quedas nas tarifas aos domingos e feriados, o que amenizou o resultado do grupo. Os combustíveis, no geral, tiveram leve queda de 0,47%, puxada pela gasolina (-0,61%) e pelo gás veicular (-3,10%).
Comportamento dos demais grupos
Outros grupos que contribuíram para a inflação em fevereiro foram:
- Saúde e cuidados pessoais: +0,59% (planos de saúde e artigos de higiene pessoal).
- Habitação: +0,30% (tarifas de água e esgoto).
- Alimentação e bebidas: +0,26% (alta no açaí, feijão e ovos).
Análise e perspectivas
Economistas avaliam que, apesar do resultado acima do esperado, o dado de fevereiro não altera significativamente a trajetória de desaceleração da inflação observada nos últimos meses. A alta foi concentrada em itens sazonais (educação) e específicos (passagens aéreas). A expectativa predominante no mercado é de que o Banco Central (Copom) inicie um ciclo gradual de cortes na taxa Selic, mantendo a cautela diante de riscos inflacionários assimétricos, como tensões geopolíticas e custos de energia.