O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,20% em janeiro de 2026, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou ligeiramente abaixo da projeção média dos economistas, que era de 0,22%.
Na janela de 12 meses, o indicador acumula alta de 4,50%, permanecendo acima da meta central do Conselho Monetário Nacional (CMN) – fixada em 3% –, mas dentro do intervalo de tolerância, que vai de 1,50% a 4,50%.
Desempenho por grupos de despesa
Entre os nove grupos pesquisados, dois registraram queda em janeiro: Habitação (-0,26%) e Transportes (-0,13%). O grupo de Saúde e cuidados pessoais foi o que mais pressionou o índice, com alta de 0,81% e impacto de 0,11 ponto percentual.
Os principais destaques foram:
- Produtos de higiene pessoal: alta de 1,38%
- Planos de saúde: alta de 0,49%
O grupo Comunicação registrou a segunda maior variação (0,73%), puxada principalmente por aparelhos telefônicos, que subiram 2,57%.
Alimentação e combustíveis
O grupo Alimentação e bebidas, de maior peso no índice, acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio interrompeu sete meses consecutivos de queda, com alta de 0,21%, influenciada por aumentos em:
- Tomate (16,28%)
- Batata-inglesa (12,74%)
- Frutas (1,65%)
- Carnes (1,32%)
Entre as quedas, destacaram-se leite longa vida (-7,93%), arroz (-2,02%) e café moído (-1,22%).
Nos combustíveis, a alta foi de 1,25%, liderada pelo etanol (3,59%) e pela gasolina (1,01%).
Transportes e energia
A queda de 0,13% no grupo Transportes foi influenciada principalmente pela redução nas passagens aéreas (-8,92%) e no ônibus urbano (-2,79%). Várias capitais implementaram reajustes tarifários ou políticas de gratuidade, como Belo Horizonte (tarifa zero aos domingos e feriados) e São Paulo (alta de 4,58% nos ônibus).
No grupo Habitação, a queda de 0,26% foi puxada pela energia elétrica residencial, que recuou 2,91% devido à mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, eliminando o custo extra por 100 kWh consumidos.
Análise dos economistas
Especialistas avaliam que a inflação continua em processo de desaceleração, com um perfil mais favorável. A média dos núcleos de inflação subiu 4,3% na comparação anual, retornando ao intervalo da meta do Banco Central.
No entanto, a inflação de serviços intensivos em mão de obra segue acelerando, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido. Para muitos analistas, o cenário reforça a expectativa de que o Banco Central deve manter os juros estáveis na reunião desta semana, com possibilidade de cortes apenas a partir de março.
O movimento de desinflação é sustentado pela valorização do câmbio, maior estabilidade das commodities, queda nos preços dos alimentos e desaceleração dos custos de produção nos setores agrícola e industrial.