O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,84% em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o maior patamar mensal desde fevereiro de 2025. O resultado superou as expectativas do mercado, que previam uma variação entre 0,56% e 0,57%.
O acumulado do ano chegou a 1,04%, enquanto a taxa em 12 meses ficou em 4,10%, abaixo dos 4,50% do período anterior.
Educação lidera a alta de preços
O principal fator de pressão sobre a inflação veio do grupo Educação, que subiu 5,20% no mês, impactando o índice geral em 0,32 ponto percentual. Os reajustes no início do ano letivo foram os grandes responsáveis, com destaque para os aumentos no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,07%) e pré-escola (7,49%).
Transportes e outros grupos
O grupo Transportes apresentou a segunda maior alta, de 1,72%, influenciado principalmente pelas passagens aéreas, que subiram 11,64%. Os combustíveis também ficaram mais caros, com alta média de 1,38% (etanol: +2,51%; gasolina: +1,30%; diesel: +0,44%). Tarifas de transporte público em diversas capitais também contribuíram para o resultado.
Os demais grupos tiveram as seguintes variações:
- Saúde e cuidados pessoais: +0,67%
- Comunicação: +0,39%
- Artigos de residência: +0,21%
- Alimentação e bebidas: +0,20%
- Despesas pessoais: +0,20%
- Habitação: +0,06%
- Vestuário: -0,42%
Alimentação e Habitação
No grupo Alimentação e bebidas, a alta de 0,20% foi puxada pelo tomate (+10,09%) e pelas carnes (+0,76%). Por outro lado, produtos como arroz (-2,47%), frango (-1,55%) e frutas (-1,33%) ficaram mais baratos. A alimentação fora do domicílio subiu 0,46%.
Em Habitação, a leve alta de 0,06% refletiu aumentos na água e esgoto (+1,97%) e no aluguel residencial (+0,32%), parcialmente compensados pela queda de 1,37% na energia elétrica, devido à bandeira tarifária verde.
Perspectivas para a política monetária
Analistas apontam que, apesar do resultado acima do esperado, a inflação continua em trajetória de desaceleração quando se desconsideram fatores sazonais, como os reajustes escolares. A expectativa do mercado é de que o Banco Central (BC) inicie um ciclo de cortes na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, já em março, com uma redução inicial de 0,25 ponto percentual.
Instituições financeiras mantêm suas projeções para a inflação de 2026 entre 3,8% e 4,0%, reforçando o cenário para um afrouxamento da política monetária.