O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,25% em dezembro de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o índice acumula uma inflação de 4,41% no ano, mantendo-se dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central (BC).
O resultado de dezembro ficou 0,05 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de novembro (0,20%) e ligeiramente abaixo das projeções do mercado, que esperavam alta de 0,27% no mês e um acumulado de 4,43% em 12 meses.
Comportamento dos grupos de produtos e serviços
Dos nove grupos que compõem o índice, sete tiveram alta em dezembro. O grupo Transportes foi o que mais pressionou a inflação, com alta de 0,69% e impacto de 0,14 p.p. no resultado total, impulsionado principalmente pelas passagens aéreas (alta de 12,71%). Em sentido oposto, o grupo Artigos de Residência registrou queda de 0,64%, ajudando a conter a inflação geral.
- Alimentação e bebidas: +0,13%
- Habitação: +0,17%
- Artigos de residência: -0,64%
- Vestuário: +0,69%
- Transportes: +0,69%
- Saúde e cuidados pessoais: -0,01%
- Despesas pessoais: +0,46%
- Educação: 0,00%
- Comunicação: +0,01%
Principais destaques e pressões de preço
Transportes: Além das passagens aéreas, o transporte por aplicativo subiu 9,00%. Os combustíveis tiveram alta média de 0,26%, com destaque para o etanol (+1,70%). Em contrapartida, o transporte público urbano registrou quedas pontuais em algumas capitais devido a medidas como gratuidade aos domingos.
Alimentação: A alimentação no domicílio caiu 0,08%, marcando a sétima queda consecutiva. Itens como tomate (-14,53%), leite longa vida (-5,37%) e arroz (-2,37%) ficaram mais baratos. Por outro lado, carnes (+1,54%) e frutas (+1,46%) subiram. A alimentação fora do domicílio avançou 0,65%.
Habitação: A alta de 0,17% foi influenciada pelo aluguel residencial (+0,33%) e pela taxa de água e esgoto (+0,66%). A energia elétrica residencial recuou 0,22%, beneficiada pela mudança da bandeira tarifária de vermelha para amarela em dezembro.
Análise dos economistas: serviços acendem sinal de alerta
Economistas avaliam que, embora o índice geral (headline) tenha ficado em linha com as expectativas, a composição do resultado preocupa. A inflação de serviços subjacentes (que exclui itens voláteis) surpreendeu ao subir 0,52%, refletindo pressões em setores como transporte por aplicativo, cinema e refeições fora de casa.
Para especialistas, isso indica uma piora na qualidade da inflação, com serviços — segmento mais sensível ao nível de atividade e ao mercado de trabalho — mostrando reaceleração no fim do ano. Enquanto bens industriais e alimentos em casa apresentam alívio, os serviços seguem como o principal desafio para a política monetária, mantendo o Banco Central em uma postura cautelosa em relação a possíveis cortes na taxa de juros.
Fonte: G1