A euforia inicial com a inteligência artificial deu lugar a um período de discernimento no mercado financeiro. A desconfiança dos investidores em relação aos retornos dos vultosos investimentos em IA complicou a semana para o setor de tecnologia na bolsa de valores dos EUA, mesmo com os líderes do setor tentando acalmar os ânimos.
Amazon, Google (Alphabet), Meta e Microsoft anunciaram planos de investir, juntas, cerca de US$ 660 bilhões na expansão da IA em 2026. Este valor representa um aumento de 60% em relação aos gastos de 2025, segundo o Financial Times.
A divulgação destes planos impactou negativamente as ações. A Amazon viu suas ações caírem após anunciar a intenção de investir US$ 200 bilhões em IA ao longo de 2026. Um dia antes, uma declaração semelhante da Alphabet aprofundou a venda de papéis do setor, levando o índice Nasdaq a fechar em seu nível mais baixo em mais de dois meses.
O temor central é duplo: primeiro, que os enormes gastos em infraestrutura (como data centers) pressionem as margens de lucro, como já ocorreu com a Microsoft, que perdeu US$ 400 bilhões em valor de mercado em um dia após relatar margens menores devido a esses investimentos. Segundo, que o avanço da IA possa minar a demanda por negócios tradicionais de software e análise de dados.
Este último receio foi amplificado com o lançamento pela Anthropic (dona do Claude) de novos softwares de IA voltados para usos corporativos específicos, como a automação da revisão de contratos.
Líderes do setor, no entanto, tentam conter o pessimismo. Jensen Huang, CEO da Nvidia, classificou a ideia de que ferramentas de software seriam substituídas pela IA como “a coisa mais ilógica do mundo”. Sundar Pichai, do Google, afirmou que a IA é uma “ferramenta capacitadora” que apresenta novas oportunidades para as empresas de software.
Huang argumentou que a evolução da IA está justamente no uso eficiente de ferramentas existentes, não na sua reinvenção. Apesar das tentativas de tranquilização, a Nasdaq terminou a semana com queda acumulada de quase 2%, refletindo o nervosismo do mercado diante de uma possível correção após o forte avanço impulsionado pela IA em 2025.