Após uma alta de 7% em 2024, a inflação dos alimentos desacelerou significativamente em 2025, fechando o ano com um aumento de 2,9%, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitos itens básicos, como arroz e feijão, apresentaram quedas expressivas de preço, beneficiadas por melhores condições climáticas e aumento da produção. No entanto, a carne bovina manteve-se em patamares elevados, e a tendência para 2026 aponta para uma pressão de alta em diversos setores.
Carne bovina: desaceleração em 2025, mas pressão de alta à vista
O preço da carne bovina desacelerou em 2025, impulsionado por uma produção recorde no país. O contrafilé, por exemplo, subiu apenas 1,3% no ano, após um salto de 20% em 2024. A picanha seguiu trajetória semelhante, com a inflação caindo de 8,7% para 2,8%.
Contudo, a expectativa para 2026 é de preços mais altos. Alcides Torres, CEO da Scot Consultoria, explica que o recorde de abate de fêmeas em 2025 deve reduzir o rebanho disponível. “O consumidor não vai ter refresco. Nós não vamos ter tanta produção como tivemos nos últimos três anos”, afirma. Com a prioridade dos pecuaristas voltando para a reprodução, a oferta deve diminuir, principalmente no segundo semestre, período historicamente mais seco e com menor disponibilidade de pasto.
Além da oferta, a demanda interna deve aquecer em 2026. Torres cita três fatores: as eleições, a Copa do Mundo e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. “Isso vai se traduzir em maior consumo de proteína animal”, diz. Fernando Iglesias, analista do Safras & Mercado, complementa que é comum o uso de recursos de campanha para eventos como churrascos em comícios, aumentando a procura.
Ovos e frango: demanda forte mantém preços pressionados
Os preços dos ovos dispararam no início de 2025, com alta de até 40% no atacado em fevereiro, devido ao custo do milho e calor intenso. Apesar de uma desaceleração posterior, o produto fechou o ano com alta de 4% (após queda de 4,5% em 2024). A inflação do frango também desacelerou, mas permaneceu em 6% (ante 10,3% em 2024).
Segundo Iglesias, a população tem priorizado proteínas mais baratas, como frango e ovos, uma tendência que deve persistir em 2026 devido ao baixo poder de compra, juros elevados e alto endividamento das famílias. Por causa dessa alta demanda, é improvável uma queda significativa nos preços destes itens neste ano.
Arroz: queda em 2025 e espaço para novas reduções
O arroz ficou mais barato em 2025, graças a um aumento de 20,6% na colheita na safra 2024/25, conforme a Conab. Lucilio Alves, pesquisador do Cepea-USP, explica que os bons preços da safra anterior motivaram os produtores a expandirem a área plantada.
Como os preços no campo caíram muito mais (-46%) do que para o consumidor, Alves avalia que ainda há “espaço para novas quedas” nos supermercados no curto prazo. Para 2026, espera-se uma colheita menor, o que pode gerar uma “ligeira recuperação” dos preços no campo, mas sem grandes impactos para o consumidor final.
Feijão: cenários distintos para preto e carioca
O feijão preto teve uma queda de preço mais expressiva, especialmente no primeiro semestre de 2025. Alves atribui isso a um crescimento de 14% na produção, que não foi acompanhado por um aumento equivalente na demanda. “Esse excesso de oferta… derrubou os preços”.
Já a safra de feijão carioca diminuiu 10%, mas os preços se mantiveram mais equilibrados devido a um consumo estável. Para 2026, enquanto os preços do carioca não devem oscilar muito, o feijão preto pode ter uma “ligeira recuperação (aumento) dos preços”, diante da redução da área plantada.
Fonte: G1 Agronegócios