A inflação na Argentina registrou 2,9% em fevereiro, conforme dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O resultado superou as expectativas do mercado e manteve-se estável em relação a janeiro, consolidando a maior taxa mensal em quase um ano. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 33,1%.
Os setores que mais pressionaram o índice foram habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, com alta de 6,8%, seguidos por alimentos e bebidas não alcoólicas (3,3%). Apesar da meta do presidente Javier Milei de zerar a inflação até agosto, o cenário permanece desafiador, com taxas mensais persistentemente entre 2% e 3% ao longo de 2025.
O governo argentino enfrenta uma complexa conjuntura econômica e política. Após uma forte desaceleração inflacionária em 2024, os indicadores voltaram a acelerar a partir de maio de 2025, coincidindo com uma crise política desencadeada por escândalos envolvendo a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, e uma derrota eleitoral do governo na província de Buenos Aires.
Esses eventos abalaram a confiança dos mercados, resultando em uma desvalorização de quase 40% do peso argentino frente ao dólar ao longo de 2025. Para conter a instabilidade, o governo buscou apoio externo, concretizando um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com os Estados Unidos e obtendo um empréstimo de US$ 20 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Paralelamente, foram implementadas medidas para injetar dólares na economia, como a flexibilização do uso de moeda estrangeira “debaixo do colchão” e intervenções diretas no câmbio pelo Tesouro Nacional. O objetivo central do plano econômico de Milei é reduzir a inflação para abaixo de 2% ao mês, condição considerada essencial para eliminar os controles de capitais e atrair investimentos estrangeiros.